Petroleo_gas_plataforma_a

A multinacional italiana ENI vai anunciar em dezembro a sua decisão final de investimento na exploração de gás natural na bacia do Rovuma, no norte de Moçambique, informou hoje a ministra dos Recursos Naturais e Energia moçambicana.

Falando durante uma conferência organizada hoje em Maputo pelo Financial Times, Letícia Klemens disse que as negociações entre o Governo moçambicano e a ENI “decorreram na normalidade desejada” e que os documentos estão fechados.

A ENI e multinacional norte-americana Anadarko lideram os dois consórcios que operam nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, onde também se encontra a portuguesa Galp.

Os resultados da fase de pesquisas indicaram a existência de cerca de 200 biliões de pés cúbicos de gás nas áreas 1 e 4, estando os dois consórcios em processo de conclusão de financiamento para o início da implementação dos projetos de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL).

Letícia Klemens disse que o maior desafio de Moçambique está em assegurar que GNL seja colocado no mercado internacional, lembrando que os resultados da fase de pesquisa colocam Moçambique na lista dos países com maiores reservas de gás natural em África.

“Em termos de oportunidade, todas as áreas que circundam a parte do `onshore´ do Rovuma têm enorme potencial, bem como a parte `offshore´ de Angoche [província de Nampula, norte do país]”, frisou a governante.

As construções de instalações de sistemas de oleodutos e gasodutos e de uma central de produção de energia elétrica são apontados pela governante, nesta fase, como elementos indispensáveis para o crescimento da indústria extrativa em Moçambique.

O presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos, Carlos Zacarias, disse por sua vez hoje à Lusa que, apesar de as negociações entre o Governo e as multinacionais estarem fechadas, a decisão final de investimento depende de vários fatores, entre os quais os preços no mercado internacional.

“O cidadão comum, quando ouve falar de recursos, tem a tendência de pensar que este investimento vai trazer benefícios no dia seguinte”, declarou, acrescentando que o Governo moçambicano tem tentado garantir que os projetos sejam realizados rapidamente e respeitando o quadro legal e fiscal moçambicano.

“Estamos agora a analisar quais é que são as outras áreas de interesse e, dentro de dois anos, abriremos um novo concurso”, acrescentou Carlos Zacarias, que tem esperança de que o mercado internacional favoreça o país nos próximos tempos.

A Anadarko já anunciou que vai avançar com o projeto de produção de gás natural no norte de Moçambique, num projeto que prevê também a construção de uma fábrica de produção de GNL, mas assinalou a complexidade deste tipo de empreendimentos e a sua decisão final de investimento só deverá ser tomada em 2017.

Além das reservas de gás do Rovuma, Moçambique tem também depósitos já em exploração pela sul-africana Sasol, nos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, sul de Moçambique.

Fonte: Lusa

Anúncios