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Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama em fevereiro de 2015/Foto de Ferhat Momad (AIM)

O representante da União Europeia (UE) em Maputo considerou hoje que o maior desafio que se coloca a Moçambique é a obtenção de confiança entre Governo e oposição e outros atores políticos e sociais para ultrapassar o atual conflito.

“A solução pela via militar e da violência não vai resolver este conflito e será contraproducente também para ultrapassar o maior desafio deste país, a confiança entre oposição e Governo e entre muitos atores ao nível político e social”, declarou Sven von Burgsdorff em conferência de imprensa, na abertura da Semana da UE, hoje em Maputo.

O representante da UE, entidade que coordena a equipa de mediadores nas negociações de paz entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), referiu que Bruxelas saúda os esforços de ambos os lados para ultrapassar esta crise e buscar uma “solução pacífica, política e negociada”, insistindo que, para tal, “a confiança é indispensável”, bem como o envolvimento da sociedade civil, académicos, províncias e povo em geral.

“São eles os primeiros a ser afetados pela crise e têm de ser os primeiros que têm de encontrar soluções”, afirmou Sven von Burgsdorff, realçando também a cessação das hostilidades como “uma condição preliminar” e a tomada de medidas para que se encontrem “compromissos políticos que correspondam às exigências e ambições de ambas as partes”.

O diplomata mencionou igualmente a crise económica e da dívida pública em Moçambique e os últimos desenvolvimentos anunciados pelo Governo e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a recuperação da credibilidade do país no exterior.

“As condições do FMI são conhecidas e apoiamos plenamente as iniciativas recentes do Governo de encontrar um caminho para ultrapassar estes constrangimentos e a crise atual que atinge profundamente o país e a população”, afirmou o representante da UE, que preside ao grupo dos doadores do Orçamento do Estado.

O chamado G14 e o FMI suspenderam os apoios a Moçambique na sequência da revelação de avultados empréstimos contraídos à sua revelia e do parlamento e que tornaram a dívida pública insustentável, e condicionam o reatamento da ajuda a uma auditoria internacional independente, entretanto já admitida pelo executivo moçambicano.

A Semana da UE começou com uma conferência sobre o acordo de parceria económica entre o bloco europeu e um grupo de países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a que Moçambique pertence.

Cinco países da região já ratificaram o acordo e, segundo o representante europeu, o parlamento moçambicano deverá fazer o mesmo até ao final do ano.

A delegação da UE prevê a realização de seminários em todo o país para explicar ao tecido empresarial local as implicações do acordo, que prevê livre acesso de produtos moçambicanos no mercado europeu, importação isenta de custos a meios de desenvolvimento industrial da Europa e proteção comercial de bens europeus que possam entrar em concorrência com aqueles que são produzidos em Moçambique.

Este entendimento, esclareceu Sven von Burgsdorff, só é válido para os países de baixo rendimento e, a partir do momento em que Moçambique suba para a categoria de país de rendimento médio, “vai perder este acesso privilegiado e preferencial ao mercado europeu”.

Ao longo dos próximos dias, a Semana da UE tem programados ciclos de conferências sobre casamentos prematuros, direito à informação na indústria extrativa, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, rádios comunitárias e biodiversidade, além de cinema, espetáculos de música, dança e competições desportivas.

“A UE não é só um ator que financia projetos, que faz diálogo sobre a mediação do acordo de paz, não é só um ator que facilita investimentos e apoia eventos culturais. É uma colaboração alargada entre o povo europeu, de 500 milhões de pessoas de 28 estados-membros, com o povo moçambicano”, defendeu o chefe da delegação europeia em Maputo.

Fonte: Lusa

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