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Vista da praia de Nanhimbe, na cidade de Pemba/Foto EGMatos

A agência Fitch Ratings manteve a notação de risco de Moçambique de longo prazo em “CC”, tanto em moeda estrangeira como em moeda local, de acordo com um comunicado emitido sexta-feira.

A notação “CC” indica que a dívida assim definida é especulativa, isto é, sem qualidade para investimento, encontrando-se o país que recebe tal notação numa situação próxima ou já em incumprimento das suas responsabilidades financeiras.

A dívida a curto prazo, tanto em moeda estrangeira como em moeda local, recebeu a notação “C”, um nível abaixo de “CC”.

A agência afirma no seu informe que a capacidade de Moçambique em respeitar o serviço da dívida encontra-se numa situação muito complicada, tendo o governo anunciado que em 2017 terá de pagar ao exterior 803,8 milhões de dólares, tanto em dívida pública como naquela que foi garantida com avais do Estado.

O governo de Moçambique admitiu oficialmente na semana passada a incapacidade financeira do Estado para pagar as próximas prestações das dívidas das empresas públicas, defendendo uma reestruturação dos pagamentos e uma nova ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Um documento de 20 páginas apresentado aos investidores pelo Ministério das Finanças refere que ”o perfil da dívida pública garantida pelo Estado de Moçambique não é sustentável.”

No documento, o Ministério das Finanças assume que a dívida pública vai chegar, em 2016, a 130% do PIB e revê em baixa para 3,7% a previsão de crescimento económico.

A presente crise relacionada com a dívida e a queda dos preços das matérias-primas prejudicaram a confiança tanto na economia de Moçambique como na sua moeda, o que fez com que o metical se tenha desvalorizado cerca de 40% contra o dólar e 45% contra o rand sul-africano.

A desvalorização face ao rand fez com que o aumento dos preços ressurgisse em força, uma vez que a maior parte dos produtos de consumo é importada da África do Sul, prevendo a Fitch Ratings que a taxa de inflação atinja 20% este ano, o valor mais elevado em duas décadas, antes de começar a cair ligeiramente em 2017/2018, devido a uma política monetária mais rígida.

Moçambique deverá assim crescer 3,5% este ano, o valor mais baixo dos últimos 15 anos, resultado de uma desaceleração da actividade económica em todos os sectores.

Fonte: Macauhub

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