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Zoma marginal da cidade de Maputo/Foto EGMatos

O Banco de Moçambique (BM) reviu hoje a previsão de crescimento económico para 3,5% e a inflação para pelo menos 29% em 2016 e alertou para o “nível crítico” das reservas líquidas, que cobrem apenas três meses de importações.

O valor da previsão de crescimento económico, apresentado hoje em conferência de imprensa pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, no final de uma reunião do Comité de Política Monetária, compara com os 6,4% registados no ano anterior e situa-se abaixo dos 4,5% anteriormente estimados pela instituição e pelo Governo e os 3,7% calculados pelo Fundo Monetário Internacional.

A inflação, segundo Zandamela, situou-se em setembro nos 25%, mas não teve em conta ainda o efeito da subida do preço dos combustíveis, e terá uma “tendência crescente” num intervalo que se deverá situar entre os 29% e os 34% até ao fim do ano.

Os valores da inflação são justificados pela queda do metical (variação anual de 77% face ao dólar, 92,9% face ao euro e 93,4% face ao rand), descida da produção interna, e aumento dos preços de bens na África do Sul.

Zandamela alertou que as reservas internacionais líquidas continuam a deteriorar-se, para uma cobertura de apenas três meses de importações, como resultado da “procura de divisas para importação de bens essenciais e pagamento do serviço dívida externa”, num cenário de congelamento da ajuda dos parceiros internacionais.

“Estamos a níveis críticos”, observou o governador, que substituiu em setembro Ernesto Gove no cargo, dando conta da amortização do serviço da dívida, num total acumulado de 397 milhões de dólares (365 milhões de euros) em 2016, quando a dívida pública moçambicana disparou para 86% do Produto Interno Bruto (PIB) em resultado da revelação de avultados empréstimos ocultos nas contas públicas.

Os elementos revelados pelo governador do BM apontam também para o agravamento do défice público, marcado por uma execução orçamental até junho de ligeiro incremento da receita, embora largamente superado pelo acréscimo da despesa.

“Dados mais recentes mostram o recurso do Estado aos bilhetes do tesouro de forma contínua, o que denota pressões para financiar o Orçamento”, alertou por outro lado Zandamela.

A conjuntura que Moçambique atravessa, atingida pela queda dos preços internacionais dos bens importados e depreciação da taxa de câmbio do metical, conduziu, no entanto, a uma melhoria da balança de transações entre Moçambique e o resto do mundo.

O défice da balança comercial reduziu em 40,9% no primeiro semestre de 2016 em relação ao ano anterior, em resultado da descida em 27,9% das importações e 15,6% das exportações.

O BM aumentou hoje em seis pontos percentuais as taxas de juro de referência, para 23,25% nos créditos e 15,5% nos depósitos, para corrigir uma “anomalia do sistema” e torná-las positivas em termos reais.

“Com estas decisões, o BM pretende alinhar as taxas de juro de referência às condições atuais de mercado, tornando-as positivas em termos reais e retirar o excesso de liquidez no sistema bancário”, avançou o governador do banco central.

Na sua apresentação à imprensa, referiu que Moçambique tem-se ressentido do “fraco desempenho” da economia mundial e dos países da África Austral, em particular da vizinha África do Sul, principal potência da região.

Entre os fatores domésticos, Zandamela apontou a desaceleração do crescimento e do clima económico, associados à depreciação do metical, à redução da produção interna, além do agravamento dos preços de bens na África do Sul, que por sua vez justificam o aumento contínuo da inflação em Moçambique.

Zandamela apontou ainda o impacto negativo na economia das calamidades naturais, a prevalência da crise político-militar entre as forças do Governo e da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), além da suspensão da ajuda externa dos doadores, em resultado das dívidas escondidas, e a volatilidade dos preços das mercadorias, com impacto na balança de pagamentos.

Fonte: Lusa

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