Uma mina de grafite, em explorada por uma empresa alemã no norte de Moçambique espera empregar entre 60 a 70 pessoas, deverá entrar em funcionamento até ao final do ano, disse à Lusa o responsável pela Câmara de Comércio da Alemanha em Maputo.

“Falei com o diretor que me disse que teria entre 60 a 70 pessoas a trabalhar lá numa primeira fase. Ele espera ter a mina a trabalhar até ao final do ano, para no próximo ano começar a exportar grafite através do porto de Nacala, no norte de Moçambique”, detalhou Friedrich Kaufmann, representante em Maputo da Câmara do Comércio e Indústria alemã para a África Meridional.

A mina está localizada em Acuabe, na província de Cabo Delgado, e será explorada pela empresa AMG Graphit Kropfmühl, uma multinacional alemã que adquiriu o direito de extração do mineral na zona através de um concurso público internacional em 2012.

A mina de Acuabe é “provavelmente o maior investimento” alemão em Moçambique até ao momento, revelou Kaufmann à agência Lusa, não devendo ultrapassar os 40 milhões de euros.

Kaufmann lamenta que o investimento alemão esteja pouco presente país, explicando que “as empresas alemãs são hesitantes e avessas ao risco que é investir dinheiro em Moçambique”.

“As empresas alemãs, por questões culturais, não estão muito familiarizadas com África, em geral, e Moçambique, em particular. É o que os economistas chamam de distância cultural em relação ao mercado”, explicou.

A Alemanha conta com cerca de 40 empresas em Moçambique nas áreas de logística, serviços, engenharia, implementação de projetos, comércio e importações, ou seja, empresas “sem aplicação de capital”, adicionou.

Kaufmann disse que países como a África do Sul acabam por atrair mais investimento alemão devido à língua inglesa e ao facto das multinacionais germânicas estarem já estabelecidas no país, ajudando à familiaridade do mercado.

A proximidade entre Maputo e Joanesburgo também trava o investimento em Moçambique, salientou Friedrich Kaufmann, tal como a crise económica que se vive no país.

“A atual situação não é muito convidativa. Se falarmos de câmbio disponível, de taxas de juro, da inflação, da chegada do FMI, é claro que as pessoas esperam para investir, em vez de adotarem uma posição mais ativa”, afirmou.

Kaufmann destacou a cooperação bilateral entre a Alemanha e Moçambique, considerando-a “muito muito ativa”, investindo em educação, formação profissional, descentralização governamental e desenvolvimento económico e sustentável, com um orçamento que ronda os 50 milhões de euros por ano.

Em 2015, Moçambique exportou para terras germânicas alumínio e produtos agrícolas como o açúcar, algodão e castanhas de caju. Por seu turno, a Alemanha forneceu maquinaria, automóveis, equipamento elétrico e trigo, gerando um volume de negócios de 270 milhões de euros entre os dois países.

Fonte: Lusa

 

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