A agência de notação financeira Moody’s considerou hoje que o acordo entre o Fundo Monetário Internacional e Moçambique sobre uma auditoria internacional às contas públicas é positivo do ponto de vista da valiação do crédito soberano.

“A transparência de uma auditoria independente e credível às empresas públicas Empresa Moçambicana de Atum, Mozambique Asset Management (MAM) e Proindicus, usando parâmetros que o FMI e Moçambique acordaram, mesmo que apresente conclusões negativas, começaria a restaurar a posição do país junto dos doadores internacionais”, escreve a Moody’s

Numa nota enviada hoje aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas da agência de ‘rating’ afirmam que as declarações do líder do departamento africano do FMI, Abebe Selassie, mostram que a realização de uma auditoria externa é “uma condição prévia essencial à continuação da ajuda financeira” ao país.

A retoma dos fluxos financeiros de ajuda seria positiva do ponto de vista de avaliação do crédito e necessária, dadas as pressões orçamentais substanciais que o Governo enfrenta”, acrescentam os peritos da agência de ‘rating’, que coloca a dívida soberana de Moçambique (Caa3 com Perspetiva de Evolução Negativa) em nível de não investimento, ou seja, ‘junk’ ou ‘lixo’, como é tradicionalmente conhecido.

Os fundos externos, lê-se na nota de análise que não constitui uma ação de ‘rating’, “poderiam aumentar o Orçamento de Moçambique e as reservas em moeda externa do Banco de Moçambique, e a auditoria poderia por si só aumentar a transparência dos perigos [orçamentais] que o Governo enfrenta”.

O FMI, o Banco Mundial e o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido suspenderam a ajuda a Moçambique em abril deste ano, no seguimento da divulgação de empréstimos escondidos no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares, o que equivale a uma quebra de financiamento no valor de 2 a 3% do PIB, segundo os cálculos da Moody’s.

A ajuda financeira internacional total que Moçambique recebeu da comunidade internacional em 2015 foi de aproximadamente 10% do PIB, apontam os analistas da Moody’s, que lembram ainda que o défice orçamental deverá chegar a 6,4% do PIB este ano, as reservas em moeda externa caíram 18% em maio face ao período homólogo e o metical foi uma das moedas mais desvalorizadas este ano, caindo 42% face ao dólar.

Fonte: Lusa

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