Indivíduos desconhecidos balearam ontem (sexta-feira), gravemente, o empresário moçambicano Omar Faruk Ayoob, proprietário do grupo Ayoob Comercial, na avenida Kenneth Kaunda, na cidade de Maputo.

A zona onde ocorreu o crime está repleta de embaixadas e residências do corpo diplomático e, segundo um artigo veiculado na página electrónica do jornal ‘Folha de Maputo’, Ayoob foi alvejado em frente à embaixada dos Estados Unidos. Testemunhas oculares disseram que os criminosos que balearam Ayoob estavam no interior de uma viatura de marca Toyota Conquest com chapa de matrícula sul-africana.

O caso aconteceu cerca de 10h00 da manhã. Pelo menos cinco tiros foram disparados, um dos quais atingiu um carro estacionado perto da embaixada. Ayoob foi transportado imediatamente para uma clínica privada no bairro da Sommerschield, onde se encontra a receber cuidados intensivos.

Ayoob é o irmão de Momad Khalib Ayoob que foi assassinado em Abril de 2012 diante de uma mesquita Maputo.

Mais ainda, Reyma Ayoob, a viúva de Khalib Ayoob, foi sequestrada em Outubro de 2014, e passou 22 dias em cativeiro antes de ser libertada mediante o pagamento de resgate.

O valor pago não foi revelado, e a família não quis falar à imprensa. No entanto, o diário independente ‘O País’ disse ter apurado que o resgate foi negociado com dois grupos distintos, um constituído por paquistaneses e outro por moçambicanos.

Reyma Ayoob foi o terceiro membro da família a ser sequestrado o desde assassinato de seu marido. Em Agosto de 2012, Hina Farouk Ayoob, 17 anos d idade, sobrinha de Ayoob, foi sequestrada, e em 2014 de Abril, um de seus filhos, Bilal Ayoob, também foi sequestrado.

Ele permaneceu no cativeiro durante 10 dias, e só foi libertado depois de a família pagar um resgate não especificado que foi depositado em uma conta bancária num país asiático.

A dimensão da riqueza desta família ficou exposta publicamente quando Khalib Ayoob foi preso no aeroporto Matsapha na Suazilândia em Dezembro de 2010 na posse de cerca de 2,7 milhões de dólares em numerário, que ele não havia declarado. Ele exportou dinheiro ilegalmente de Moçambique e disse que estava levando para Dubai.

O dinheiro foi confiscado pelas autoridades da Suazilândia. O processo-crime que havia sido instaurado na Suazilândia contra Ayoob acabou sendo encerrado com a sua morte.

Tudo indica que as pessoas a quem Ayoob queria entregar os 2,7 milhões de dólares não ficaram satisfeitas por ele não ter conseguido realizar a operação, e isso pode ajudar a explicar os problemas subsequentes da sua família.

A família Ayoob possui diversas empresas, algumas das quais com actividades duvidosa. Uma das empresas de Ayoob, Modas Niza Lda, tornou-se notável em 2010, quando a Autoridade Tributária de Moçambique ordenou a venda em hasta pública de seus produtos para saldar uma dívida de 276 milhões de meticais (cerca de 7,9 milhões de dólares americanos, à taxa de câmbio da época) para a empresa de telefonia móvel M-Cel.

A Modas Niza era vendedora autorizada de cartões de telefone M-Cel pré-pagos. Ela vendeu os cartões – mas os cheques emitidos a favor da M-Cel foram devolvidos e, por isso, a Autoridade Tributária apreendeu aparelhos eléctricos que foram vendidos para tentar amortizar a divida contraída pela Modas Niza junto a M-Cel.

Fonte: AIM (Agência de Informação de Moçambique)

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