WEF-DAVOS-CHISSANO

Joaquim Chissano em 2004/Foto Eric FEFERBERG

O ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano disse, domingo (09), estar confiante que o diálogo entre o Governo e a Renamo tenha uma solução “positiva” para permitir que o investimento e o turismo possam regressar “em força” a Moçambique.

“Continua a decorrer um debate entre delegações do Governo e da Renamo, com medidores internacionais, em preparação de um encontro entre o Presidente da República e o presidente da Renamo”, afirmou o ex-chefe de Estado moçambicano em Díli, capital do Timor Leste.

“Não sei o que vai sair daí, mas sei que vai sair boa coisa para garantir que haja paz em Moçambique, que os investimentos voltem com força”, disse, numa intervenção no IV Congresso da Fretilin, o segundo partido timorense, que hoje termina em Díli e onde, em homenagem ao seu apoio à luta pela libertação de Timor-Leste recebeu o cartão de militante vitalício do partido, informa a agência portuguesa Lusa.

Chissano considerou que no momento atual “há hesitação em trazer investimento, porque e estrada que vai do norte ao sul é interrompida no meio”, afetando vários projetos.

“O investimento diminuiu, o turismo diminuiu, por causa da falta dessas deslocações. Penso que, uma vez mais teremos sucesso, que vai permitir uma maior unidade nacional, vai permitir a consolidação da paz, que os investimentos venham e que o desenvolvimento continue a progredir”, considerou-

O ex-chefe de Estado recordou que o crescimento económico contraiu mas mostrou-se confiante na conclusão positiva das negociações com a Renamo porque “o povo todo não quer guerra em Moçambique”.

“Todo o povo está unido: não quer guerra, quer paz, quer unidade”, disse.

Chissano disse que esta é a terceira vez que a Frelimo negoceia com a Renamo, acusando os líderes da oposição que acusou de pretenderem “um regresso ao conflito armado, apenas por ganância do poder.

“Eu digo que este retorno ao conflito armado é devido à ganância do poder por parte dos líderes da Renamo. É que eles veem para estes conflitos armados apenas depois de perderem as eleições. Cada vez que perdem eleições, tentam entrar para o poder por vias das armas”, disse.

Nesse âmbito acusou a Renamo de uma postura “inconstitucional” ao pretender defender que deve governar em províncias onde diz ter ganho nas últimas eleições, que “não foram para governadores mas para deputados na assembleia”.

“Elegemos deputados para a assembleia, onde tivemos a maioria dos deputados. Não apenas naquelas províncias, mas a maioria geral que permitiu formar um Governo para poder governar. Mas a Renamo acha que as eleições devem ser avaliadas dependendo de como foi cada resultado em cada província”, disse.

Chissano, que na segunda-feira recebe em Díli a mais alta condecoração timorense que pode ser dada a um estrangeiro (o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste), está em Timor-Leste para participar em eventos que assinalam o 20º aniversário da entrega do Prémio Nobel da Paz aos timorenses José Ramos-Horta e Ximenes Belo.

Apesar de já ter visitado Timor-Leste antes – para as cerimónias da restauração da independência timorense em 2002 – o convite para participar na jornada de encerramento do IV Congresso Nacional da Fretilin foi a primeira vez em que Chissano pode falar diretamente a um grande plateia de timorenses.

Fonte: Lusa

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