imageEm setembro de 2016, a Qatar Petroleum (QP) anunciou interesse em investir na exploração de gás natural em Moçambique. O objetivo da companhia é adquirir, em possível parceria com a Exxon Mobil, campos offshore atualmente gerenciados pela companhia italiana Ente Nazionale Idrocarburi (ENI), que pretende vender 50% da sua participação na Área 4 da Bacia do Rovuma, no norte de Moçambique.

O Catar é uma das maiores potências internacionais do mercado de gás natural, destacando-se como detentor da terceira maior reserva mundial comprovada, atrás apenas do Irão e da Rússia. Somado a isto, o país é o maior vendedor de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, respondendo por cerca de um terço das exportações ao redor do globo. O GNL é o gás natural em forma líquida, que é congelado a uma temperatura inferior a -160°C e que, no estado líquido, permite um armazenamento mais econômico e prático, além disso, possibilita que seja transportado por via marítima através de longas distâncias sem a necessidade de gasodutos. Moçambique por seu turno, país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), possui a vigésima maior reserva de gás natural comprovada e a terceira maior da África, superada apenas por Nigéria e Argélia, nesta ordem.

Desde 2010 houve descobertas significativas na Bacia do Rovuma no espaço marítimo moçambicano. Em 2014, o Governo local publicou um Decreto proporcionando estrutura legal e contratual para apoiar o desenvolvimento do setor, em especial para projetos de GNL no país. Vale ressaltar que Moçambique ocupa uma posição estratégica no Oceano Índico, de modo que a comercialização do GNL com grandes consumidores do Leste Asiático como China, Coreia do Sul e Japão poderia se tornar uma considerável fonte de receitas para o Estado.

A parceria com a QP poderia trazer benefícios para o país, pois o Catar pode contribuir com o desenvolvimento do setor no que diz respeito ao investimento de capital, conhecimento técnico e até mesmo no que diz respeito à montagem de estruturas de liquefação. Para o Catar, por seu turno, a parceria é importante por representar presença estratégica no continente africano e garantia de comercialização com o extremo Oriente e a Europa sem a necessidade de passar seus carregamentos navais pelos Estreitos de Ormuz, Bab el Mandeb e Canal de Suez, embora, no caso do Oriente, ainda exista o Estreito de Malaca.

Moçambique é um país com potencial de se tornar um exportador de gás natural dentro e fora do seu continente, somado a isto, a presença de companhias como a QP pode contribuir com o desenvolvimento do setor e pagamento de royalties e geração de receitas. O Brasil também pode obter ganhos com as concessões em Moçambique, pois, desde 2006, a Petrobras possui acordo com a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) para a exploração de gás natural no país.

Fonte: André Figueiredo Nunes, in Ceiri Newspaper

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