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Guterres na ONU em dezembro passado, quando comandava o ACNUR.

O político português Antonio Guterres já está com o caminho aberto para ser nomeado como o novo secretário-geral das Organização das Nações Unidas(ONU). Ele passou pelo filtro do Conselho de Segurança, órgão cujos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) detêm o verdadeiro poder de decisão. Guterres (Lisboa, 1949), ex-primeiro-ministro do seu país (1995-2002) e ex-responsável pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), lidera desde o começo a corrida pela sucessão de Bank Ki-moon, mas a votação desta quarta-feira era crucial, pois serviria para ver se algum desses países imporia um veto ao seu nome.

A campanha para que fosse uma mulher a dirigir a ONU pela primeira vez nos 71 anos de história da instituição fracassou. Dos 13 nomes que participavam na disputa, apenas 10 chegaram a essa ronda decisiva. É a Assembleia Geral, constituída por 193 países, que deve aprovar a nomeação, depois de uma recomendação formal do Conselho de Segurança, que tem um total de 15 membros (os cinco permanentes, com poder de veto, e outros dez em forma de rodízio). Para fazer a recomendação, o Conselho precisa aprovar a decisão com pelo menos nove votos favoráveis e nenhum veto.

“Temos um claro favorito, e o seu nome é Antonio Guterres”, admitiu após a reunião o embaixador russo na ONU, Vitali Churkin. A votação “formal” ocorrerá nesta quinta-feira às 10h de Nova Iorque (16h de Moçambique), quando Guterres será indicado oficialmente. O mandato do atual secretário-geral, Ban Ki-moon, encerra em 31 de dezembro próximo. É a primeira vez na história da ONU que o processo de seleção para o cargo ocorre de forma transparente, com os concorrentes sendo submetidos a audiências abertas a todos os países, não só aos integrantes do Conselho de Segurança.

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