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Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama em fevereiro de 2015/Foto de Ferhat Momad (AIM)

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse hoje que a paz volta a ser o principal desafio dos moçambicanos, 24 anos após a assinatura do acordo que deu fim a uma guerra civil de 16 anos.

Volvidos 24 anos [após a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma], o nosso país volta a ter como principal desafio devolver o sossego e tranquilidade aos moçambicanos”, disse Filipe Nyusi, falando durante o encerramento da 10.º Conferência de Quadros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido do qual é também presidente.

Destacando a paz como um património coletivo, o chefe de Estado moçambicano apontou a estabilidade no país como condição para a consolidação da democracia e do desenvolvimento, considerando que a sua manutenção é da responsabilidade de todos.

Filipe Nyusi assinalou que o desenvolvimento do país passa pela criação de um ambiente saudável e que garanta um aproveitamento contínuo do potencial de que o país dispõe.

“A paz é do interesse supremo”, referiu o chefe de Estado, observando que a mesma deve estar sempre acima de quaisquer interesses individuais.

Apesar de uma relativa calma nos últimos dias, a região centro de Moçambique tem sido palco de confrontos entre o braço armado do principal partido de oposição, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), e as Forças de Defesa e Segurança e denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

As autoridades moçambicanas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques nas últimas semanas em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da empresa mineira brasileira Vale.

Alguns dos ataques foram assumidos pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, que os justificou com o argumento de dispersar as Forças de Defesa e Segurança, acusadas de bombardear a serra da Gorongosa, onde presumivelmente se encontra.

Apesar dos casos de violência, que deixaram um número desconhecido de mortos, as partes estão em negociações em Maputo, agora na presença de mediadores internacionais.

Na semana passada, as negociações entre as duas partes foram, mais uma vez, suspensas, até 10 Outubro, para permitir que o Governo e a Renamo analisem os pontos constantes da agenda.

Durante o interregno, as duas partes vão reflectir em torno da exigência do principal partido da oposição de governar em seis províncias do centro e norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

A 10.º Conferência de Quadros da Frelimo juntou 2.787 delgados do partido no poder há 40 anos em Moçambique na cidade da Matola, arredores da capital moçambicana, para debater viários pontos, entre os quais a paz e estabilidade no país.

Fonte: Lusa

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