O Banco de Moçambique considerou hoje que o sistema bancário moçambicano está são, defendendo que não há motivos para pânico face à decisão que tomou de dissolver a administração do MozaBanco “para proteger os interesses dos depositantes”.

“De um modo geral, nós podemos dizer que o nosso sistema bancário goza de uma boa saúde”, declarou, em conferência de imprensa, a diretora de Supervisão Bancária do Banco de Moçambique, Joana Matsombe, quatro dias depois de a instituição ter anunciado a destituição do Conselho de Administração e da Comissão Executiva do MozaBanco.

Segundo Matsombe, o sistema bancário moçambicano apresenta um rácio de solvabilidade de 15%, muito acima do exigido, que é de 8%, o rácio de retorno de capital está em 15% e o retorno sobre os ativos situa-se em 1,3%, encontrando-se dentro dos padrões internacionais.

Repisando que “não há razões para alarme”, a diretora de Supervisão Bancária do Banco de Moçambique salientou que a situação que o MozaBanco vive não pode ser generalizada a todo o setor financeiro moçambicano.

“Certamente que houve este problema com este banco, que não pode ser generalizado, não se pode dizer que o sistema bancário não está bom, gostaríamos que todos os cidadãos se sentissem seguros, para continuarem a ter o seu dinheiro no sistema bancário”, acrescentou Joana Matsombe.

Matsombe explicou que o Banco de Moçambique teve de intervir no MozaBanco, do qual o Novo Banco detém 49%, porque o mesmo apresenta rácios prudenciais abaixo do mínimo exigido pela legislação bancária moçambicana.

“Em meados de 2015, o MozaBanco apresentava uma situação financeira e prudencial estável, a partir do segundo trimestre de 2016, o banco começou a registar rácios prudenciais abaixo do mínimo exigido por lei”, disse Matsombe.

Por detrás desse cenário, prosseguiu a diretora de Supervisão Bancária do Banco de Moçambique, está o fato de não ter sido feita a recapitalização do banco, o crescimento acentuado do imobilizado e dos custos administrativos, numa altura em que o MozaBanco apresenta uma contração do produto bancário.

Joana Matsombe afastou a hipótese de a situação negativa do MozaBanco estar relacionada com o crédito mal parado, assinalando que ao nível deste indicador, a instituição está numa situação satisfatória.

Matsombe adiantou ainda que o novo Conselho de Administração provisório tem seis meses para fazer regressar os rácios prudenciais aos níveis impostos pela lei.

“Nós pensamos que em seis meses é possível cumprir esta operação, é uma previsão, se se mostrar necessário prorrogar o tempo, será prorrogado”, disse Joana Matsombe.

Fonte: Lusa

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