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Filipe Nyusi, presidente do partido Frelimo (Foto Ariel Inroga)

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, acusou hoje a Renamo, principal partido da oposição, de usar a guerra como arma de chantagem e lançar o país para a instabilidade, visando tomar o poder a qualquer preço.

Falando em conferência de imprensa de resumo das discussões da 10.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), que decorre desde sábado na cidade da Matola, província de Maputo, o porta-voz do partido no poder, António Niquice, acusou a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) de hipotecar os esforços do país na luta contra a pobreza.

“O povo quer uma paz duradoura, uma paz efetiva, que não pode ser objeto de qualquer tipo de chantagem, o povo moçambicano não quer ver hipotecada a necessidade de continuar a desenvolver o país por imperativos de um grupo de indivíduos que a qualquer preço julga que tem que governar”, declarou Niquice.

Com as suas ações armadas, prosseguiu o porta-voz da Frelimo, a Renamo quer impedir o progresso do país e colocar em causa a paz, um bem coletivo de todo o povo moçambicano.

Segundo António Niquice, os quadros da Frelimo manifestaram confiança nas negociações em curso entre o Governo e a Renamo, na presença de mediadores, visando a restauração da estabilidade, assinalando que as duas partes vão criar condições para que o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo se encontrem visando selar um acordo de paz definitivo.

Niquice sublinhou, contudo, que o encontro entre as delegações do executivo e do principal partido da oposição tem apenas um caráter consultivo, cabendo aos órgãos de soberania, nomeadamente a Assembleia da República, o papel de sufragar as decisões emanadas das duas partes.

A 10.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo está reunida para preparar até segunda-feira as teses para o 11.º Congresso do partido no poder, agendada para 2017.

Moçambique vive um momento de instabilidade militar principalmente no centro do país, mas também com episódios de violência militar no norte, opondo as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo.

Os confrontos, que decorrem em simultâneo com ataques a alvos civis atribuídos à Renamo, foram desencadeados pela recusa do principal partido da oposição de aceitar a derrota nas eleições gerais de 2014, acusando a Frelimo de ter cometido fraude no escrutínio.

A Renamo condiciona o fim das ações armadas à aceitação pelo Governo da sua exigência de governar nas seis províncias do centro e norte do país onde reivindica vitória nas eleições.

 

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