imageO Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Moçambique tem de intensificar políticas monetárias restritivas “para salvaguardar a estabilidade macroeconómica” e colocou condições para aceitar um pedido de Maputo para que fossem retomadas discussões sobre um programa de ajuda.

As autoridades [moçambicanas] solicitaram ao Fundo [Monetário Internacional] que fossem retomadas, o mais depressa possível, as discussões sobre apoio financeiro. Uma trajetória sólida de aplicação de políticas macroeconómicas saudáveis e um início efetivo do processo de auditoria [das empresas EMATUM, Proindicus e MAM] a curto prazo ajudariam a criar as condições para um possível retomar das discussões sobre um programa com o FMI”, indicou hoje o FMI num comunicado da equipa técnica que visitou o país africano durante uma semana.

A equipa, chefiada por Michel Lazare, concluiu hoje a visita a Moçambique para avaliar os “recentes desenvolvimentos económicos” do país e “discutir as políticas governamentais para restaurar a confiança e apoiar a estabilidade económica”.

A equipa do FMI nota que “Moçambique enfrenta um ambiente económico difícil”, com um crescimento de 3,7% previsto para este ano (contra os 6,6% do ano passado) e com “uma inflação a subir acentuadamente”, chegando aos 21% em agosto (comparação anual), alimentada por uma depreciação do metical em cerca de 40% desde o início do ano.

Ao mesmo tempo, houve um “enfraquecimento das exportações, do investimento direto estrangeiro e do financiamento dos doadores”, o que manteve a pressão sobre as reservas internacionais, que continuam a cair, escreve Michel Lazare no comunicado.

“A descoberta em abril de 2016 de uma dívida, previamente não revelada, de 1,4 mil milhões de dólares (10,7% do PIB moçambicano), conjugado com o impacto da depreciação das taxas de câmbio, levaram a um aumento substancial dos rácios da dívida”, acrescenta.

Apesar deste cenário difícil, “a missão aplaudiu as medidas de política económica adotadas pelo governo desde a última visita em junho”.

“Na frente fiscal, o parlamento aprovou em julho um orçamento retificativo para 2016, que inclui medidas para conter gastos não essenciais”, adianta o FMI, acrescentando que, na frente monetária, o banco central tomou medidas não só para reduzir o excesso de liquidez como também para deixar flutuar as taxas de câmbio, ajudando assim a repor o equilíbrio entre a oferta e a procura no mercado de divisas.

No entanto, com a inflação ainda a subir e o metical a desvalorizar o FMI diz que “são necessárias medidas adicionais de restrição monetária para salvaguardar a estabilidade macroeconómica”.

Quanto à auditoria internacional e independente às empresas EMATUM, Proindicus e MAM – que estiveram na origem da dívida oculta -, a equipa do FMI diz que “fez progressos consideráveis” junto do gabinete do Procurador Geral da República na elaboração de um documento que permita a sua realização.

Fonte: Lusa

 

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