Carvao_moatize

Mina de carvão em Moatize, Tete, Centro de Moçambique.

Os preços do carvão nos mercados internacionais mais do que duplicaram desde o início do ano, permitindo o reinício de projectos de extracção mineira e melhorando as perspectivas de projectos de infra-estruturas em Moçambique.

Devido a cortes de produção internacionais ocorridos nos últimos meses, os preços de carvão aumentaram de próximo de 80 dólares por tonelada para perto de 190 dólares por tonelada este mês, situação que já levou a indiana Jindal Steel & Power Ltd. a decidir retomar as suas operações na mina de Chirodzi, alcançando uma produção mensal de 300 mil toneladas.

O abrandamento de projectos de infra-estruturas, a par da descida do preço das matérias-primas, bem como das medidas de austeridade aplicadas pelo governo para lidar com dificuldades orçamentais, são considerados pelos economistas os principais factores para a travagem da economia moçambicana – para 3,6% em 2016, segundo a Economist Intelligence Unit (EIU), a que o Macauhub teve acesso, o que compara com uma média anual de 7,2% na última década.

Os preços baixos das matérias-primas, entretanto em recuperação, tem diminuído a confiança na rápida execução de projectos de infra-estruturas como o recentemente assinado por Moçambique, Botsuana e Zimbabué, para construção de uma linha ferroviária de 1600 quilómetros para servir o porto de águas profundas de Techobanine, no sul da província de Maputo, ligando-o a Francistown, no leste do Botsuana, através do Zimbabué.

O consórcio internacional responsável pelo projecto do porto, com um custo estimado em mil milhões de dólares, integra a empresa portuária chinesa China Harbour Engineering Co, além da Bela Vista Holdings (BVH) e a sul-africana Transnet, empresa pública de caminhos-de-ferro da África do Sul.

Moçambique e Botsuana acordaram inicialmente este projecto em 2010, prevendo um financiamento total de 7 mil milhões de dólares, a construção de 1100 quilómetros de ligação ferroviária, com capacidade para processar 200 milhões de toneladas de carga diversa por ano, desde a geral a granel, minérios, combustível e passageiros.

De acordo com a Economist Intelligence Unit, o Botsuana disponibilizou-se para financiar a construção da linha férrea, que criaria “uma muito necessária capacidade de escoamento para as suas minas de carvão no leste do país, que afectou o desenvolvimento da indústria carbonífera, apesar das suas reservas superabundantes.”

Para o Zimbabué, a infra-estrutura abre também oportunidades de crescimento de exportações, enquanto para Moçambique permite “o desenvolvimento de um novo e potencialmente vibrante porto”, estando previsto o envolvimento de investidores privados, adianta a EIU, que, contudo, manifesta dúvidas quanto à capacidade de atracção de investidores.

Além dos preços do carvão, também os preços do gás natural, a que estão ligados alguns dos principais projectos de infra-estruturas em Moçambique, têm vindo a subir, em particular desde Julho, e atingiram em Setembro os valores mais elevados de 2016.

O movimento ascendente tem reforçado a confiança das autoridades moçambicanas de que poderá estar para breve a decisão final de investimento das empresas líderes dos consórcios de exploração de gás natural no Rovuma – ENI e a Anadarko Petroleum, empresa com cujo presidente o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, se reuniu na semana passada nos Estados Unidos.

A ENI está em negociações com a ExxonMobil para vender parte da sua quota e existe a possibilidade de entrada no mesmo consórcio da Qatar Petroleum, que poderá comprar parte da quota da empresa italiana.

Fonte: Macauhub)

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