Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique constata que a juventude moçambicana acredita cada vez menos nas lideranças políticas, sendo a corrupção um dos motivos.

A nossa análise constatou que os jovens moçambicanos têm um descrédito em relação aos políticos”, disse à Lusa a investigadora e docente do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), Irae Lundin.

O estudo, coordenado pela Foundation For European Progressive Studies (FEPS), uma ONG europeia, inquiriu uma amostra de mil jovens de todo o país, na faixa entre os 15 e 35 anos, através de correio eletrónico, com questões que dizem respeito à participação da juventude em todo processo político moçambicano.

Apesar de destacar a existência de “um desencanto” pelas lideranças políticas, associado pelos investigadores ao seu envolvimento em casos de corrupção e a promessas não cumpridas, o estudo revela que a juventude moçambicana interessa-se mais pela “ação política”, em alusão à vontade que os jovens apresentam em ver melhoradas as estratégias ligadas à educação e saúde.

“O desinteresse é pela atitude dos políticos e não pela política no geral”, esclareceu a investigadora, apontando, a título de exemplo, a percentagem de jovens que, segundo o estudo, votariam se as eleições tivessem sido agendas para o dia seguinte, que é de 62 por cento.

Quando Moçambique atravessa uma crise política e militar que opõe o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Irae Lundin entende que a participação dos jovens na política pode contribuir para que o país ultrapasse os seus problemas, destacando que o interesse da juventude pela “ação política” revela que “há um futuro pela frente”.

“Moçambique é um país jovem e que precisa de uma juventude mais ativa na política”, declarou, apontando a luta do Parlamento Juvenil, uma das organizações que exige a participação da sociedade civil no atual processo negocial entre o Governo e a Renamo, que agora decorre na presença de mediadores internacionais, como um “bom exemplo”.

Para o académico Paulo Wache, também autor do estudo, a participação dos jovens nos processos políticos é um debate global e a revindicação por um espaço de destaque na política é universal.

“O problema da hierarquia na política, em muitos casos, afasta os jovens da participação em partidos políticos”, revelou, sublinhando, no entanto, que a participação na “ação política” tende a crescer e isso é importante.

Para o caso moçambicano, o académico admitiu que o estudo, devido à metodologia, não abrangeu uma parte significativa dos jovens moçambicanos, principalmente das zonas rurais.

“Infelizmente, o estudo estendeu-se pela juventude urbana, aquela que tem acesso à internet”, afirmou, observando que há necessidade de as próximas pesquisas serem pensadas em função também da juventude rural, que é maioritária.

Fonte: Lusa

 

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