O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, reuniu-se hoje com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em Nairobi, onde os dois governantes participam, a partir de sábado, na Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (Ticad).

No final do encontro, Nyusi e Abe partilharam a intenção de se aprofundar as relações entre os dois países, quando o Japão já é um dos principais parceiros internacionais de Moçambique.

“Gostaria de estreitar ainda mais as relações com Moçambique”, afirmou Shinzo Abe, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), no final do encontro.

Nyusi aproveitou, por seu lado, para felicitar Abe pela sua reeleição, considerando que pode contribuir para melhorar a cooperação já existente.

“Quero, antes de tudo, felicitá-lo pela sua vitória com maioria absoluta na sua eleição, porque isso vai garantir os projetos que juntos iniciámos e pode ser que agora tenhamos mais possibilidades de avançar com maior intensidade”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

No encontro, segundo a AIM, foi também discutida a dívida externa de Moçambique, após a revelação de avultados empréstimos garantidos pelo Estado a favor de empresas estatais, fora das contas públicas, e que levou à suspensão dos financiamentos de alguns dos principais parceiros internacionais.

Na mesma ocasião, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicano, Oldemiro Baloi, disse que Moçambique e Japão partilham muitos projetos e a intensificação das relações entre os dois países, principalmente na área económica, é uma intenção partilhada por ambos.

Dados da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), citados pela AIM, indicam que as exportações de Moçambique para o Japão atingem nove milhões de dólares (oito milhões de euros) anualmente e, em sentido inverso, chegam a 150 milhões de dólares (mais de 133 milhões de euros).

O Japão é um dos principais parceiros internacionais de Moçambique e uma das suas últimas ações foi a doação de 12 milhões de dólares (10,9 milhões de euros) para a construção de 13 pontes.

Este financiamento somou-se a 38 milhões de dólares (34,5 milhões de euros), em 2013, para a construção daquelas pontes na estrada que liga Ile e Cuamba, mas que ficaram danificadas pelas cheias nas províncias da Zambézia e Niassa em janeiro do ano passado.

A colaboração entre Moçambique e Japão, ao abrigo de um acordo bilateral assinado em 2014, inclui a reabilitação do porto de Nacala, o programa agrícola Prosavana, o mercado do peixe em Maputo, a construção de uma central termoelétrica de ciclo combinado de gás natural, além de apoio a bolseiros e ajuda para mitigar o impacto dos desastres naturais.

Em janeiro de 2014, o primeiro-ministro japonês visitou Maputo e deixou uma promessa de investimento equivalente a quase 500 milhões de euros em projetos agrícolas e infraestruturas.

O Ticad nasceu em 1993, com a perspetiva de definir o programa de cooperação do Japão com África, e a próxima conferência é a primeira que se realiza num país africano, com a presença do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e de cerca de 30 chefes de Estado do continente.

Shinzo Abe desloca-se acompanhado por vários membros do seu governo e de uma numerosa delegação, que inclui 80 empresários.

“A força do Japão assenta nas suas tecnologias de alta qualidade e formação de pessoal”, afirmou Abe antes da sua deslocação para o Quénia, onde é ainda esperada a assinatura de 80 protocolos diversos e acordos comerciais.

Fonte: Lusa

 

 

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