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A ex-primeira-ministra moçambicana Luísa Diogo considerou hoje em Maputo que foi uma medida acertada o primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, ter instituído as aldeias comunais, como forma de tornar acessíveis os serviços sociais básicos.

Luísa Diogo referia-se a uma decisão muito criticada em alguns círculos internos e internacionais por as aldeias comunais supostamente terem promovido agrupamentos populacionais rurais à força e alegadamente desmantelado o modo de vida campesino.

“Quando falamos no pensamento económico do Presidente Samora, passa-nos a questão das aldeias comunais (…) muitas das razões que estiveram por detrás da sua introdução prevalecem até hoje”, disse Luísa Diogo, falando numa palestra subordinada ao tema “O Pensamento de Samora Machel Sobre o Desenvolvimento Económico de Moçambique”.

Discursando perante uma plateia de estudantes e docentes, da Escola Superior de Contabilidade e Gestão (Escog), Luísa Diogo afirmou que para a vastidão do território moçambicano e as múltiplas carências em termos de serviços sociais, a tentativa de Samora Machel de promover a concentração populacional nas zonas rurais foi bem pensada.

“Algumas pessoas falam com ceticismo, devido ao rótulo, ao nome [aldeias comunais], mas quando analisamos as necessidades, as condições humanas e materiais que ditaram a sua criação, veremos que a ideia era tornar possíveis e acessíveis serviços básicos como a água, energia, comunicações, hospitais e escolas”, frisou a ex-primeira-ministra moçambicana.

As aldeias comunais foram um dos principais alvos da então Renamo, no conflito de 16 anos terminado em 1992, que considerava que este tipo de assentamentos tinha sido inspirado em práticas de países comunistas.

Sobre as sucessivas crises económicas que marcaram os 11 anos de Presidência de Samora Machel, falecido em 19 de outubro de 1986, Luísa Diogo afirmou que as mesmas resultaram de fatores exógenos, como o contexto hostil movido pelo regime do ‘apartheid’ da África do Sul e da ex-Rodésia, atual Zimbabwe.

“A maior parte [das crises] é ditada por razões exógenas à gestão macroeconómica, tivemos a crise da guerra de desestabilização, foi-nos imposta do exterior, nós fomos bombardeados”, declarou a ex-governante.

Samora Machel e o país, prosseguiu Luísa Diogo, foram duramente penalizados por terem assumido um papel ativo na imposição de sanções económicas decretadas pelas Nações Unidas contra o ‘apartheid’ a África do Sul e contra o regime de minoria branca na ex-Rodésia.

“Vivíamos num contexto regional hostil, especialmente, de um parceiro económico mais poderoso [a África do Sul] e, por outro lado, de um segundo parceiro também poderoso [a Rodésia], vizinhos que partilham com Moçambique uma longa fronteira e com os quais era fácil sobreviver”, afirmou Luísa Diogo.

Fonte: Lusa

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