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Mussa Chamaune e Joaquim Lobo representaram Moçambique Olimpíada Rio-2016 – MURAD SEZER/REUTERS

Ser o último colocado numa prova olímpica no dia do aniversário não parece o melhor dos presentes. Mas o moçambicano Mussa Chamaune, que completou 24 anos nesta sexta-feira, não deu muita bola para o resultado na canoa dupla 1000m (C2 1000m) ao lado do compatriota Joaquim Lobo. Os atletas moçambicanos fizeram o pior tempo geral na semifinal: 4:23:965 minutos, 45 segundos acima do melhor índice, alcançado pelos ucranianos Dmytro Ianchuk e Taras Mishchuk.

A simples participação na Olimpíada do Rio, porém, já foi histórica para Chamaune: na segunda-feira, quando competiu na bateria da canoa individual 1000m (C1 1000m), ele tornou-se o primeiro canoísta de Moçambique a competir nos Jogos Olímpicos. Naquela ocasião, terminou em penúltimo geral e foi o último colocado das duas baterias que disputou, mais de 1 minuto atrás dos líderes. Mas teve o seu esforço aplaudido pela torcida. Assim como nesta sexta, quando foi bastante festejado pelas arquibancadas.

“É muito emocionante saber que o público brasileiro torce por nós. Quando as pessoas aplaudem para ti, isso dá uma vontade de querer continuar. É algo muito bom quando você lembra que as pessoas estão te apoiando. Elas estão contando comigo”, declarou Chamaune.

Nesta sexta-feira, os aplausos da torcida durante a chegada dos moçambicanos, muito depois de todos os outros barcos que enfrentaram, foram recebidos por Chamaune como uma mensagem de “parabéns” – pelo aniversário e pelo feito histórico de participar da Olimpíada.

“Acho que só estar aqui no Rio competindo já é um presente. Espero que nos próximos Jogos Olímpicos eu também receba um presente desses”, afirmou Chamaune, referindo-se, é claro, ao facto de participar dos Jogos, e não ao resultado.

A vinda de Chamaune na Rio-2016 passou diretamente por uma ajuda brasileira. Ele e o seu companheiro de canoa dupla, Joaquim Lobo, de 27 anos, treinavam desde 2015 num dos centros de treinamento da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), em Curitiba. “Foi o período em que mais evoluímos”, define Lobo, o companheiro de Chamaune na canoa dupla, que ainda não sabe se a parceria continuará depois dos Jogos.

TREINAMENTO NO MAR

O convite a Lobo e Chamaune foi mais um capítulo do acordo de cooperação entre a CBCa e a federação moçambicana, iniciado em 2011. Naquele ano, Chamaune dava as suas primeiras remadas numa canoa. Natural de Maputo, a capital do Moçambique, o canoísta enfrentava desafios para treinar no seu país. Além da pouca tradição em canoagem, o único local disponível para treinamentos não era um lago, mas sim o mar. Com o excesso de ondas, era difícil manter o equilíbrio por muito tempo.

“Pratiquei algumas modalidades antes, cheguei a ser escoteiro. Mas a canoagem me pareceu algo que combinava comigo. Não imaginava que chegaria a uma Olimpíada neste momento. Foi emocionante a rapidez com que isso chegou”, afirmou Chamaune.

Apesar do abismo para outros adversários, Chamaune frisa que os moçambicanos não caíram de para-quedas na Olimpíada. Ele e o seu colega Joaquim Lobo venceram o pré-olímpíco da África, em abril deste ano, para conseguirem vaga na C2 1000m.

“Saio um pouco chateado porque ninguém gosta de ficar muito atrás”, admitiu Chamaune, com um sorriso tímido — “Tenho que treinar muito mais para Tóquio-2020, até porque os outros também vão treinar mais. Preciso aprimorar força, resistência e um pouco da técnica”.

Fonte: oglobo.com

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