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Vista da cidade de Maputo/Foto EGMatos

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a economia de Moçambique vai crescer, em média, 5,1% até 2020, mantendo a previsão de 3,8% para este ano, abaixo da previsão governamental de 4,5%.

O Produto Interno Bruto (PIB) real deverá crescer 3,8% em 2016, o ritmo mais baixo em 15 anos; o abrandamento previsto reflete uma deterioração adicional na despesa pública, baixo investimento do exterior num contexto de fraca confiança empresarial, e perturbações relacionadas com o clima na produção agrícola”, argumentam os peritos da EIU, a unidade de análise económica da revista britânica ‘The Economist’.

Numa nota de análise sobre o país a que a Lusa teve acesso, a EIU acrescenta que “a alta inflação e o fraco metical (a moeda moçambicana) também vão influenciar significativamente a atividade do setor privado em várias áreas, ainda que o aumento da produção de carvão através do Corredor de Nacala possa impulsionar o crescimento”.

Assim, os analistas da EIU antecipam “uma aceleração gradual do crescimento económico a partir de 2017, à medida que a estabilidade macroeconómica e a confiança dos empresários melhora, mas, a um ritmo anual de 5,1% entre 2017 e 2010, a expansão económica ficará bem abaixo da taxa média de crescimento na década anterior, de 7,2% ao ano”.

Na análise ao país, a EIU diz que “a estabilidade política de Moçambique está sob ameaça” devido às divisões no partido que suporta o Governo, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e às divergências internas sobre a governação do Presidente.

“Prevemos que Filipe Nyusi se mantenha no poder, devido à falta de uma alternativa aceitável para todas as fações, mas falta-lhe capital político para restaurar a unidade no partido”, dizem os analistas, que não esperam saídas dos mais contestatários “dado os níveis de clientelismo profundamente implantados no partido”.

Numa breve análise às consequências da ocultação de empréstimos internacionais no valor de quase dois mil milhões de dólares, a EIU diz que o mais provável é mesmo que Moçambique deixe de receber ajuda financeira ao Orçamento, ficando-se apenas pelo auxílio internacional através de programas de combate à pobreza e impulso ao desenvolvimento.

“O congelamento da ajuda internacional deve manter-se pelo menos até ao processo de reconciliação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estar completo, o que deverá acontecer até 2017, e o apoio direto ao Orçamento deverá provavelmente ser substituído por ajuda aos programas governamentais”, escrevem os analistas da EIU.

O congelamento da ajuda internacional surge depois da revelação, em abril, de empréstimos escondidos em 2013, que o Ministério Público moçambicano considera ilegais, mas que o Executivo diz terem sido omitidos por razões de segurança nacional.

“Parece improvável que o Governo cumpra as exigências dos doadores relativamente a uma auditoria independente às contas públicas, dada a cultura de secretismo na Frelimo, mas o Governo terá de ceder até certo ponto para melhor a transparência fiscal se quiser recuperar o acesso à ajuda”, conclui a EIU.

Fonte: Lusa

 

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