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Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no estádio do Maracanã (Ivan Pacheco)

A primeira prova da Olimpíada do Rio de Janeiro acabou e o pódio encheu o país de orgulho. Deu tudo certo na cerimônia de abertura. Mais que certo: ficou par a par com as de Pequim e Londres, páreos duros que a festa brasileira encarou com galhardia. Do Maracanã saiu para o mundo um Brasil moderno, seguro das suas qualidades, colorido e bonito. Enfim, um país ‘bacana’.

A suavidade de Paulinho da Viola cantando o hino nacional deu o tom da celebração das coisas brasileiras, uma distância refrescante do ufanismo estridente de praxe. As marcas registadas estiveram lá, no cenário forrado de vídeos: samba, funk, favela, fútebol, Garota de Ipanema. Só que revestidas de uma actualidade muito bem vinda, sem exageros, na medida certa.

A obrigatória referência ecológica durou um pouco mais do que devia. O segmento dos refugiados desviou-se um pouco do tema. Ficou a impressão de que, mais do que fazer parte do esperto e criativo enredo montado pelos directores Fernando Meireles, Daniela Thomas Andrucha Waddington, estes dois momentos tiveram o objectivo de reforçar a actuação social que o Comité Internacional quer pregar ao universo olímpico.

No balanço final, fica a imagem de um país de respeito. Ouro para a festa.

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Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no estádio do Maracanã (Ivan Pacheco)

Temer é vaiado ao abrir os Jogos Rio-2016

Imerso em profunda crise política e econômica, o Brasil celebrou a tolerância e a diversidade na abertura dos Jogos Rio-2016 – uma festa que reflectiu de facto o “espírito da gambiarra”, definido pelos organizadores como “o talento para fazer algo grande a partir de quase nada”. Mas a tensão no país se fez sentir no Maracanã. Para evitar vaias, o nome do presidente interino Michel Temer não foi anunciado ao lado do presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, no início da cerimônia. Temer, contudo, não escapou dos protestos: ao declarar aberta a Olimpíada, foi alvo de sonoras vaias. Falou por menos de 10 segundos. Ao fazer o seu discurso, Bach apenas agradeceu às autoridades brasileiras, sem citar Temer nominalmente. A imagem do interino também não apareceu nos telões do Maracanã – tudo parte da estratégia dos organizadores para evitar as manifestações contra Temer.

Estiveram presentes à cerimônia 38 chefes de Estado e governo – número muito inferior aos 70 que assistiram a festa londrina em 2012 e aos 80 que estiveram em Pequim em 2008. O presidente americano Barack Obama prestigiou a abertura em Londres ao lado da mulher, Michelle. Desta vez, os Estados Unidos enviaram o secretário de Estado John Kerry.

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Brasil foi a última delegação a entrar na abertura dos Jogos (Stoyan Nenov/Reuters)

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