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Uma mulher negra foi assassinada esta segunda-feira a tiro pela polícia de Baltimore, nos Estados Unidos, enquanto tinha o filho de cinco anos ao colo. As autoridades afirmaram que Korryn Gaines, de 23 anos, tinha uma arma apontada aos agentes e ameaçou disparar.

Os agentes abriram fogo e Korryn respondeu, disparando duas vezes. A criança foi baleada durante a troca de tiros mas foi logo encaminhada para o hospital e não corre risco de vida. Korryn morreu no local.

A polícia foi ao apartamento de Korryn segunda-feira de manhã com um mandado de prisão em nome dela e de um homem que também estava no apartamento. Os agentes bateram à porta mas ninguém respondeu. A jovem era acusada de não ter comparecido à sessão em tribunal em que iria responder por conduta desordeira, infracções ao trânsito e resistência à prisão.

O homem, que tentou fugir do apartamento mas foi preso pela polícia no local, era acusado de assalto.

Os polícias abriram a porta do apartamento, usando uma chave cedida pelo senhorio, e encontraram Korryn Gaines sentada no chão com uma arma apontada aos agentes, segundo o chefe da polícia James Johnson.

Os agentes recuaam e durante várias horas tentaram negociar com a jovem, até que ela disse: “Se vocês não se forem embora, eu vou matar-vos”. Um dos agentes então disparou.

“Nós disparamos uma vez. Em resposta ela disparou várias vezes contra nós”, explicou o chefe da polícia numa conferência de imprensa, segundo a CNN. “Nós disparámos mais uma vez”, continuou.

Durante o impasse, enquanto os agentes da polícia estavam à porta do apartamento, Korryn Gaines gravou vídeos e publicou-os no Instagram.

Num dos vídeos, Korryn pergunta ao filho de cinco anos quem está lá fora e a criança responde a “polícia”. Ela pergunta depois “o que é que eles estão a tentar fazer?” O filho responde “estão a tentar matar-nos”.

A jovem pergunta depois se o filho quer ir para fora e a criança responde que prefere ficar com ela. Na descrição do vídeo, Korryn escreveu “o meu filho não é um refém. Ele quer ficar em casa com a mãe dele”.

O departamento da polícia de Baltimore afirmou que “ainda não foi esclarecido” se os agentes da polícia tinham câmaras instaladas na farda durante o incidente. Estas câmaras começam a ser usadas pela polícia dos Estados Unidos para perceber melhor o que acontece em cada caso.

O departamento afirmou que estas câmaras só chegaram a Baltimore há algumas semanas, segundo a AP, e acrescentou que os agentes foram suspensos.

Este caso já está a incendiar as redes sociais, com várias pessoas a criticarem a acção da polícia. Korryn morreu em Baltimore, cidade que foi palco de muitos protestos após a morte de Freddie Gray, um homem negro de 25 anos, sob custódia da polícia, em 2015.

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