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A Frelimo, partido no poder em Moçambique, defendeu hoje que os ataques armados de homens da Renamo devem ser responsabilizados criminalmente, considerando inconcebível que uma força política possua armas para “chantagear e ameaçar o povo”.

“É importante responsabilizar cível e criminalmente os que estão fora da lei, porque na República de Moçambique, enquanto Estado de direito democrático, ninguém está acima da lei”, declarou António Niquice, porta-voz da Frelimo, que falava em conferência de imprensa na qualidade de chefe adjunto da brigada central do partido no poder na cidade de Maputo.

Niquice disse ser “inconcebível que um partido que se pretenda político seja detentor de armas para chantagear e ameaçar o povo”, numa alusão à Renamo, maior partido de oposição, referindo que “a Frelimo tudo fará para que a paz prevaleça”.

Numa conferência de imprensa sobre o balanço dos contactos com as bases em Maputo na preparação do XI Congresso da Frelimo, a ter lugar em 2017 na cidade da Matola, Niquice disse ter constatado “uma preocupação recorrente que tem a ver com a instabilidade política e militar, concretamente associada à tentativa de desestabilização do país que o senhor Afonso [Dhlakama] e a Renamo têm estado a perpetrar”.

Segundo o dirigente da Frelimo, “há uma preocupação do povo moçambicano para que esta formação política possa imediatamente de forma incondicional cessar as hostilidades”, que têm afetado sobretudo a região centro do país.

A região centro de Moçambique tem sido atingida por episódios de confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, além de denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

As autoridades atribuem à Renamo ataques a unidades de saúde nas últimas semanas e emboscadas nas principais estradas do centro do país, onde foram montadas escoltas militares obrigatórias em três troços de duas vias.

Na terça-feira, o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) imputou aos homens armados da Renamo a autoria de sete ataques nos últimos dias, que resultaram em dois mortos e três feridos, um dos quais em estado grave.

Apesar da frequência de casos de violência política, Governo e Renamo voltaram ao diálogo em Maputo, mas o processo negocial foi suspenso até ao regresso dos mediadores internacionais, previsto para 8 de agosto.

Fonte: Lusa

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