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Uma equipa internacional de pesquisadores descobriu que um tipo de barata pode ser uma incrível fonte de nutrientes no futuro: a Diploptera punctata, espécie de barata, é capaz de produzir uma substância riquíssima em proteínas. De acordo com pesquisa publicada em junho na revista especializada International Union of Crystallography, o conteúdo calórico dos “cristais” com os quais esse animal alimenta os seus filhotes é três vezes maior que o de leite de búfala, hoje considerado o alimento com as proteínas mais nutritivas.

Segundo os pesquisadores, a maioria dos insetos que recebe o nome de baratas põe ovos e, portanto, não sustenta os seus filhotes com um alimento especial. Mas a Diploptera punctata tem um modo diferente de gerar a sua prole, num processo semelhante ao humano. Para alimentar as crias, ela produz um cristal proteico, como se fosse um “leite”, no meio do seu intestino. O fato de um inseto ser capaz de produzir esse nutriente impressionou os pesquisadores, mas a informação mais preciosa obtida pelas análises foi de que apenas um desses cristais proteicos é capaz de fornecer quatro vezes mais energia que o leite de vaca.

O problema é que os cientistas, liderados por especialistas do Instituto de Biologia de Células Tronco e Medicina Regenerativa (InStem, na sigla em inglês), na Índia, não conseguiriam extrair esse “leite” das baratas. Assim, eles sequenciaram os genes responsáveis pela produção desses cristais proteicos para tentar reproduzi-los em laboratório.

“Os cristais encontrados na Diploptera são como comidas completas, possuem proteínas, gorduras e açúcares. Se olharmos dentro das sequências das proteínas, elas possuem todos os aminoácidos essenciais”, afirmou o especialista Sanchari Banerjee, coautor do estudo, em comunicado.

Por isso, os cientistas alertam que esse não seria o tipo de alimento ideal para quem deseja perder peso – ou para a cultura ocidental, que já consome alimentos com muitas calorias. Esse tipo peculiar de proteína seria recomendado para pessoas que não conseguem consumir a quantidade necessária de nutrientes e calorias diárias, e poderia, no futuro, funcionar melhor como um suplemento alimentar.

Comida do futuro

Além disso, por ser altamente proteico e nutritivo, esse poderia ser um alimento ideal para as próximas gerações, que devem enfrentar uma “crise alimentar”: estudos recentes mostraram que nos próximos anos o planeta receberá uma quantidade de humanos cada vez maior e a produção de alimentos – principalmente de carne, fonte de proteínas – não acompanhará o crescimento populacional. Alternativas proteicas, portanto, serão fundamentais para garantir o sustento dos humanos.

Em estudos futuros, os cientistas devem tentar produzir esses cristais sintéticos em larga escala no laboratório, para verificar se seriam tóxicos aos humanos.

Fonte: veja.com.br

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