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O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, afastou hoje um cessar-fogo imediato nas confrontações militares entre o seu partido e as forças do Governo e disse que a questão só se colocará no fim das negociações entre as partes.

“Muitos falam de cessar-fogo, cessar-fogo é muito bonito falando dos escritórios, mas é muito difícil para quem está no mato, a disparar num confronto militar”, declarou Afonso Dhlakama numa entrevista concedida por telefone ao semanário Savana, referindo que não há ainda confiança para abandonar o seu atual refúgio, supostamente na serra da Gorongosa, centro do país.

“Se nós cessarmos fogo, significa que a guerra terminou. Mas como ainda não chegámos a um acordo, não nos reconciliámos, não nos entendemos, significa que, meses depois, voltaríamos ao conflito e estaríamos a dececionar o povo”, afirmou o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

Apesar do reatamento das negociações em Maputo entre Governo e Renamo, com a presença de mediadores internacionais, não cessaram os relatos de confrontações militares no centro de Moçambique, além de emboscadas nas estradas atribuídas ao braço armado da oposição e denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos.

Na quinta-feira, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu a cessação imediata dos confrontos militares.

“O que os moçambicanos querem é a cessação imediata da matança e destruição de bens”, afirmou Nyusi, falando num comício no distrito de Mopeia, província da Zambézia.

No mesmo dia, o Governo moçambicano e a Renamo iniciaram em Maputo a discussão da exigência do principal partido de oposição de assumir a governação das seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, que o movimento encara como decisiva para o fim do atual conflito armado no país.

Na entrevista ao Savana, Dhlakama insiste que este é um ponto de que o seu partido não vai abdicar, mesmo a meio de um ciclo político.

“Seria perigoso depois de o povo ter votado na Renamo esperar cinco anos e suportar a governação da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder]”, afirmou.

Segundo o líder da oposição, basta fazer uma “revisão pontual” da Constituição para que haja transferência de poderes políticos e administrativos dos governadores indicados pela Frelimo para aqueles apontados pela Renamo.

Dhlakama voltou a acusar Filipe Nyusi de o ter tentado eliminar, afastando a iniciativa de radicais da Frelimo contra a opinião do Presidente, mas assegurou que não guarda rancor e que só abandonará a Gorongosa “quando tudo sair bem [das negociações]”.

Para o dirigente político, o Governo apenas aceitou a mediação internacional “por pressão do terreno”, acrescentando que as Forças de Defesa e Segurança “levaram muita porrada” e que, se “a Renamo estivesse a perder, eles não haviam de aceitar nada”.

Além da reivindicação do principal partido de oposição de assumir o controlo das seis províncias, a agenda acordada pelo Governo e Renamo integra ainda a cessação imediata dos confrontos armados entre as duas partes, a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, incluindo na polícia e nos serviços de informação, e o desarmamento do braço armado da Renamo e sua reintegração na vida civil.

Os mediadores internacionais apontados pela Renamo são representantes indicados pela União Europeia, Igreja Católica e África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, pela Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Fonte: Lusa

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