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REUTERS/MIKE HUTCHINGS

A sua função é realizar “limpezas sexuais”, que na prática quer dizer tirar a virgindade a meninas, a pedido dos pais e sendo pago para isso, como manda a tradição no sul deste país.

As raparigas, após a primeira menstruação, devem ter relações sexuais com o Hiena durante três dias para marcar a passagem da infância para a idade adulta, como conta a BBC. Antes de dormirem com o Hiena, as meninas devem aprender como podem ser boas mulheres e como dar prazer a um homem.

“Algumas das meninas têm 12 ou 13 anos, mas eu prefiro as mais velhas”, explicou Aniva, um Hiena de cerca de 40 anos que diz ter dormido com mais de 100 meninas. “Todas estas raparigas têm prazer ao ter-me como a ‘hiena’ delas. Na verdade elas ficam orgulhosas e contam às outras pessoas que este homem é um homem a sério, ele sabe como agradar a uma mulher”.

Aniva conta que tem cinco filhos mas admite que pode ter mais espalhados por aí, pois o ritual não permite o uso de preservativo.

Segundo as crenças da zona, caso uma menina recuse dormir com o Hiena, os seus familiares sofrem alguma desgraça ou ficam gravemente doentes. Alguns contam ainda que a rejeição da rapariga pode trazer azar para a aldeia inteira.

A “limpeza sexual”, feita para evitar doenças e proteger as famílias da zona pode ser, no entanto, a condenação destas aldeias do Malawi. Aniva confessou à BBC que é HIV positivo e que não conta aos pais das crianças, que pagam entre 4 a 6 euros para ele fazer o ritual.

“Não havia nada que poderia ter feito”, contou Maria, uma das jovens que dormiu com o Hiena, ao repórter da BBC.

“Tinha de fazê-lo pelos meus pais. Se recusasse os meus familiares seriam atacados por doenças ou iriam morrer, por isso estava muito assustada”

Aniva, contraditoriamente, afirma que nunca vai deixar que a sua filha seja submetida a este ritual. “A minha filha, não. Não posso permitir isto”.

A “limpeza sexual” do Hiena não é só para as meninas. Quando uma mulher fica viúva, por exemplo, deve dormir com o Hiena ainda antes de enterrar o marido, e caso uma mulher tenha um aborto ou seja infértil deve fazer o mesmo tratamento.

Esta tradição está mais associada às áreas remotas e rurais e é criticada tanto pelo governo de Malawi, que lançou uma campanha contra esta “prática cultural prejudicial”, como pela igreja e pelas organizações não-governamentais do país.

Aniva, por sua vez, diz que vai deixar de ser Hiena em breve e que a prática deve acabar.

Fonte: dn.pt

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