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Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama em fevereiro de 2015/Foto de Ferhat Momad (AIM)

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, exortou hoje os mediadores internacionais a ajudarem o Governo e a Renamo a acabarem com os confrontos militares, assinalando que o povo tem urgência em que o país volte a ter paz.

“O papel determinante é vosso, que a facilitação [que vai ser exercida pelos mediadores] ajude a encontrar a solução que vá de encontro às expetativas da população, para que não continue a morrer”, afirmou Nyusi, falando no seu gabinete de trabalho com os mediadores internacionais das conversações entre o Governo e a Renamo Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para a restauração da paz no país.

Enfatizando que o povo é que deve ser o vencedor do atual processo negocial, Filipe Nyusi afirmou que as negociações entre o Governo e o principal partido de oposição devem resultar na paz definitiva em Moçambique.

“Que de uma vez para sempre se conclua este ?dossier`, para que os investimentos continuem em prol do desenvolvimento económico e social do país, para não estarmos a desperdiçar tempo e forças”, declarou.

Em declarações aos jornalistas, à margem da reunião com o chefe de Estado, o italiano Mario Raffaelli, um dos dois mediadores indicados pela União Europeia (UE) e que chefiou a equipa de mediação do Acordo Geral de Paz de 1992 em Moçambique, considerou positivo o encontro com Filipe Nyusi, mas recusou alongar-se em comentários sobre o processo negocial.

“Sabem que sou muito experiente em negociações de paz, mas não vou fazer declarações, o encontro com o Presidente foi positivo”, afirmou Raffaelli.

A União Europeia (UE) indicou também Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, a instituição que mediou, em 1992 em Roma, o Acordo Geral de Paz, para as novas negociações entre Governo moçambicano e Renamo.

Além da UE, o atual processo negocial conta com a mediação da Igreja Católica – através do núncio em Maputo, Edgar Peña e do secretário da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), João Nunes -, do ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, em representação da Fundação para a Liderança Global, com sede em Londres, de um representante da Fundação Faith, dirigida pelo ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e de um representante do Governo da África do Sul.

Apesar de as duas partes terem reatado as negociações, os ataques de supostos homens armados da Renamo a veículos civis e militares em vários troços do centro do país não têm cessado e o movimento acusa as Forças de Defesa e Segurança de intensificarem os bombardeamentos na serra da Gorongosa, onde se presume encontrar-se Afonso Dhlakama.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Fonte: Lusa

 

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