Renamo_rusga_prm_beiraO Vaticano nomeou o núncio apostólico em Maputo, Edgar Peña, e o secretário da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), João Nunes, como mediadores das negociações de paz com a Renamo, informou hoje o jornal Notícias.

Segundo o secretário da Nunciatura Apostólica da Santa Sé em Maputo, citado pelo Notícias, a indicação Edgar Peña e João Nunes, também bispo auxiliar de Maputo, surge em resposta ao pedido do Governo moçambicano ao Vaticano, para integrar a equipa de mediadores das negociações com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para o fim dos confrontos militares no país.

De acordo com o Notícias, já se encontra em Maputo o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, em representação da Fundação para a Liderança Global, com sede em Londres, também convidada para tomar parte na mediação.

Na segunda-feira, era esperado em Maputo Jonath Power, em representação da Fundação Faith, dirigida pelo ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, para integrar a equipa de mediadores, e aguarda-se nos próximos dias a chegada do ex-Presidente tanzaniano Jakaya Kikwete, também solicitado para se juntar à mediação.

A União Europeia (UE) indicou na semana passada Mario Raffaelli e Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, a instituição que mediou, em 1992 em Roma, o Acordo Geral de Paz de Moçambique, para as novas negociações entre Governo moçambicano e Renamo.

Mario Raffaelli foi o mediador-chefe do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992 pelo ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano e pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, encerrando 16 anos de guerra civil, que deixou cerca de um milhão de mortos.

O chefe de Estado moçambicano e o líder da Renamo indicaram em junho terem chegado, por telefone, a um consenso sobre a participação de mediadores internacionais nas negociações para o fim dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da oposição.

A Renamo colocava como condição para voltar às negociações o envolvimento de mediadores da UE, da Igreja Católica e do Presidente sul-africano, Jacob Zuma.

Apesar de as duas partes terem reatado as negociações, os ataques de supostos homens armados da Renamo a veículos civis e militares em vários troços do centro do país não têm cessado e o movimento acusa as Forças de Defesa e Segurança de intensificarem os bombardeamentos na serra da Gorongosa, onde se presume encontrar-se Afonso Dhlakama.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Fonte: Lusa

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