O aumento do peso do consumo interno na estrutura económica da China poderá proporcionar maior crescimento económico aos países da África a sul do Saara que apostarem na produção para exportação, afirma um novo estudo patrocinado pelo Banco Mundial.

O estudo “O Abrandamento e o Reequilíbrio da China: Potenciais Impactos no Crescimento e Pobreza na África a sul do Saara”, dos economistas Csilla Lakatos, Maryla Maliszewska, Israel Osorio-Rodarte e Delfi Go, adianta que Moçambique apresenta-se muito bem posicionado para beneficiar dessa alteração estrutural da economia chinesa.

Os três economistas afirmam igualmente que “o reequilíbrio na China”, com a consumo interno a ganhar peso em relação ao investimento, “deverá ter impactos muito mais significativos sobre o resto do mundo do que o abrandamento previsto” a curto prazo.

“Se a oferta mundial responder positivamente às mudanças nos preços relativos e às novas fontes de procura dos consumidores da China, uma alteração substancial da estrutura económica da China poderia ter um impacto favorável global sobre a economia global”, adiantam, no estudo obtido pela agência Macauhub.

No caso de Moçambique, as previsões de crescimento anual do PIB “per capita” entre 2011-2030 recuam de 6,48% para 6,46% devido ao abrandamento da China, mas sobem para 6,58% num cenário de reequilíbrio.

Esta é a melhor previsão dos economistas para a região, à frente da Costa do Marfim (6,35%) e Botsuana (5,62 %), não sendo Angola e demais países de língua portuguesa incluídos na análise.

De acordo com dados apresentados pelos economistas, 99,5% das exportações moçambicanas para a China entre 2004 e 2014 foram de bens intermédios, e apenas 0,2% de produtos finais, uma realidade semelhante à da maioria dos países na região.

Num seminário de Promoção de Cooperação de Capacidade Produtiva Anhui – Moçambique, no final de Junho em Maputo, o embaixador chinês Su Jian afirmou que a China está disponível para ajudar a aumentar a capacidade produtiva do país, nomeadamente na construção e melhoria de infra-estruturas, bem como na transferência de tecnologias e na formação de técnicos e operários moçambicanos.

No estudo promovido pelo Banco Mundial, os economistas salientam que “políticas que incentivem a diversificação e, ao mesmo tempo, apoiem os países nas suas vantagens comparativas poderiam ser benéficas na luta contra os impactos negativos da desaceleração da China.”

Fonte: Macauhub/CN/MZ

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