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O economista-chefe do departamento de ajuda externa do Governo do Reino Unido (UK-AID) considerou hoje à Lusa que os atrasos nos grandes projetos em Moçambique podem ser positivos, porque dão mais tempo para preparar a economia.

Em entrevista à Lusa, Stefan Dercon disse que “As perspetivas serão mais lentas por causa dos preços baixos das matérias primas, mas isso não é necessariamente uma coisa má, porque vai dar mais tempo ao país para pensar mais cuidadosamente sobre como fortalecer a gestão económica, fazer reformas estruturais e de elementos de transparência política para ser um país mais credível para receber investimentos a longo prazo”.

Falando à Lusa à margem da conferência ‘Desenvolvimento Económico em África’, organizada pela Faculdade de Economia da Universidade Nova, e que decorre até hoje em Lisboa, o também professor de Economia na Universidade de Oxford acrescentou que o adiamento nos megaprojetos de exploração dos recursos naturais moçambicanos vão permitir ao Governo “pensar mais cuidadosamente sobre onde e como vão ser aplicadas as receitas”.

Moçambique, disse “tem feito notáveis progressos desde o fim da guerra”, mas “as relações com os doadores sofreram um choque por causa da questão dos empréstimos escondidos e é esse elemento de falta de transparência na gestão económica que tem atrasado o desenvovlvimento”.

Se o país conseguir “repensar a gestão económica, lançar reformas estruturais e melhorar o clima de investimentos e a gestão dos recursos naturais, terá um futuro brilhante no mundo globalizado”, vincou o economista, apontando a necessidade de tornar o crescimento económico “mais inclusivo”.

Questionado sobre a crise financeira e económica que o país atravessa no seguimento da descida do preço das matérias-primas e da divulgação de empréstimos escondidos no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares, Stefan Dercon disse que os doadores querem voltar a financiar o Orçamento do Estado moçambicano e a ajudar o país, mas precisam de garantias antes.

“Precisamos de sinais que ofereçam mais credibilidade à comunidade internacional de que [os líderes moçambicanos] estão a falar a sério; a bola está muito do lado das pessoas envolvidas nas decisões políticas e na gestão económica; não vale a pena colocar condições para retomar a ajuda, porque se a vontade de progresso não é um sentimento partilhado pelos líderes e pela população, então não vai acontecer”, declarou.

Instado a apontar exemplos sobre quais seriam os “sinais” que a comunidade internacional quer ver, Dercon respondeu que é preciso “construir credibilidade outra vez, mostrar que podem gerir aspetos da governação, como ter o seu próprio programa de ‘limpeza’ do Governo para se tornarem mais transparentes, trabalhar a sério na vertente da gestão e coleta fiscal, e depois mostrar esses avanços aos doadores e solicitar novamente ajuda”.

Se isto for feito, “a comunidade internacional voltará em grupo”, realçou o economista chefe do UK-AID, mostrando-se convicto de que, “no final haverá, um compromisso político”, porque quer ajudar, mas “havendo sinais de progresso”.

Fonte: Lusa

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