imageA União Europeia (UE) indicou Mario Raffaelli e Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, a instituição que mediou, em 1992 em Roma, o Acordo Geral de Paz de Moçambique, para as novas negociações entre Governo moçambicano e Renamo.

Fonte da UE confirmou à Lusa os nomes da instituição católica como os mediadores indicados pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em resposta a um pedido formulado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Mario Raffaelli foi o mediador-chefe do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992 pelo ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano e pelo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, encerrando 16 anos de guerra civil, que deixou cerca de um milhão de mortos.

O político italiano visitou Moçambique em fevereiro e manteve conversações com as partes, deixando um apelo para a paz, num momento em que o país assistia a uma nova escalada de confrontações entre as Forças de Defesa e Segurança e a Renamo.

O padre Angelo Romano avistou-se por sua vez com o Presidente português em maio em Roma, dias antes de Marcelo Rebelo de Sousa realizar a sua primeira visita a Moçambique,

Em declarações à Lusa, a partir de Roma, o padre Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, afirmou, na ocasião, que o encontro com o Presidente português teve como objetivo a procura de “um caminho para o diálogo” em Moçambique.

O chefe de Estado moçambicano e o líder da Renamo indicaram em junho terem chegado, por telefone, a um consenso sobre a participação de mediadores internacionais nas negociações para o fim dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da oposição.

A Renamo colocava como condição para voltar às negociações o envolvimento de mediadores da UE, da Igreja Católica e do Presidente sul-africano, Jacob Zuma.

Na segunda-feira, o diário mediaFax noticiou que, além daquelas entidades, o Governo pretende alargar a equipa de mediadores ao antigo Presidente tanzaniano Jakaya Kikwete, à Fundação Faith, de Tony Blair, e à Fundação Global Leadership, do ex-subsecretário de Estado norte-americano Chester Crocker.

Apesar de as duas partes terem reatado as negociações, os ataques de supostos homens armados da Renamo a veículos civis e militares em vários troços do centro do país não têm cessado e o movimento acusa as Forças de Defesa e Segurança de intensificarem os bombardeamentos na serra da Gorongosa, onde se presume encontrar-se Afonso Dhlakama.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Fonte: Lusa

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