A União Europeia (UE) e a Igreja Católica já foram formalmente convidadas pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para mediarem o fim da crise política entre Governo e a Renamo, disseram à Lusa fontes das duas instituições.

Segundo fonte comunitária, a delegação da UE em Maputo recebeu uma carta do chefe de Estado na sexta-feira, endereçada ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, com o convite formal para integral a equipa de mediadores nas negociações de paz.

O porta-voz da Conferência Episcopal de Moçambique e bispo auxiliar de Maputo, João Nunes, bispo, também confirmou à Lusa um convite de Filipe Nyusi entregue na Nunciatura Apostólica na capital moçambicana, na qualidade de representante do Vaticano, convidando a Igreja Católica a assumir igualmente o seu papel de mediação na crise.

A Lusa procurou ouvir a representação em Maputo da África Sul, cujo Governo corresponde à terceira entidade envolvida no processo de mediação, mas ainda não obteve resposta.

Na semana passada, José Manteigas, deputado e membro da equipa negocial da Renamo, adiantou que as duas delegações chegaram a consenso sobre os termos de referência da participação dos mediadores nas conversações, mas remeteu a divulgação de pormenores para o momento em que as entidades tomem parte no processo.

Filipe Nyusi e o líder do principal partido de oposição, Afonso Dhlakama, anunciaram em junho terem chegado, por telefone, a um consenso sobre a participação de mediadores internacionais nas negociações para o fim dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo.

Apesar de as duas partes terem reatado as negociações, os ataques de supostos homens armados da Renamo a veículos civis e militares em vários troços do centro do país não têm cessado e o movimento acusa as Forças de Defesa e Segurança de intensificarem os bombardeamentos na serra da Gorongosa, onde se presume encontrar-se Afonso Dhlakama.

Num comício na segunda-feira na província de Nampula, norte do país, o Presidente moçambicano defendeu que o líder da Renamo “deve parar de matar pessoas”.

“Ele deve parar de matar, porque esse nunca foi o caminho mais correto para governar”, afirmou Nyusi, declarando ainda que tem estado a falar com Dhlakama sobre um eventual encontro entre os dois líderes para o fim da instabilidade militar no país.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Fonte: Lusa

 

 

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