As condições apontadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para retomar a ajuda financeira a Moçambique são negativas para a análise do crédito soberano porque implicam que os restantes doadores internacionais aguardem pela satisfação dessas condições, diz a Moody’s.

“O FMI disse, no final da visita a Moçambique, que o país terá de cumprir vários passos antes de começarem as conversas sobre a retoma dos desembolsos do empréstimo de 283 milhões de dólares acordados em dezembro de 2015”, lembra a Moody’s numa análise à situação económica do país.

Estes desenvolvimentos, diz a agência de notação financeira, “são negativos do ponto de vista da análise do crédito soberano de Moçambique porque a retoma dos desembolsos dos doadores para além do FMI, como o Banco Mundial, o Reino Unido e os Estados Unidos, está ligada à resolução satisfatória dos problemas de transparência da dívida pública”, diz a Moody’s.

Moçambique, que tem uma avaliação de ‘rating’ abaixo do nível de recomendação de compra, em CAA1 e em revisão para uma provável degradação, revelou em abril dívidas não declaradas de mais de 1,4 mil milhões de dólares, que motivaram uma onda de desconfiança por parte dos mercados financeiros internacionais e fizeram os juros da dívida subir de pouco mais de 12 por cento para quase 20%, os mais elevados de África e ao nível da Venezuela, desde abril.

“A ajuda externa é uma importante fonte de moeda externa para o Governo de Moçambique e para o país como um todo”, diz a Moody’s, notando que esta ajuda equivale a cerca de 10% do PIB.

As condições apontadas pelo FMI para retomar as conversações com vista ao reinício da ajuda financeira incluem mais progresso na implementação efetiva não só das medidas de correção macroeconómicas, mas também das que aumentem a transparência, melhorem a governança, e garantam a responsabilização”.

Em concreto, o FMI quer uma auditoria externa às contas das empresas públicas, mas “as medidas destinadas a melhorar a transparência das contas públicas são um processo que provavelmente demorará vários meses ou até um ano”, diz a Moody’s, concluindo, por isso, que “as autoridades moçambicanas vão precisar de bastante tempo para cumprir as condições do FMI para retomar as conversações que, em última análise, vão desbloquear o financiamento”.

Com a redução do investimento externo em cerca de 35% no primeiro trimestre deste ano, a falta de ajuda externa “vai exacerbar os desfios externos e tornar a tarefa de lidar com os desequilíbrios económicos ainda mais complicada”.

Os indicadores económicos de Moçambique têm, desde julho de 2014, revelado a gravidade da situação, lembra a Moody’s, apontando a depreciação do metical em 43% face ao dólar atá abril deste ano, a inflação a subir para 17,3% face a 2% um ano antes, e a descida das reservas externas, de 3,2 mil milhões de dólares para apenas 2 mil milhões.

O crescimento económico está também a abrandar, com o primeiro trimestre a registar um valor de 5,3%, e os indicadores de confiança divulgados pelo Banco de Moçambique a evidenciar também uma degradação.

 

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