O porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo e membro da comissão mista no diálogo entre o Governo moçambicano e a Renamo, maior partido da oposição, disse hoje que há sinais para a restauração da paz no país.

“Há contactos na mesa do diálogo que poderão resultar na paz que todos moçambicanos precisam”, declarou Galiza Matos, falando à margem da conferência “Pensar Moçambique”, organizada pelo Parlamento Juvenil em Maputo.

Num momento em que as conversações foram restabelecidas, depois de terem sido paralisadas com a retirada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o porta-voz da bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, apontou o “calar das armas” como uma prioridade, considerando que o desarmamento do maior partido de oposição é a condição para a manutenção da paz.

“A Renamo tem de largar as armas e os seus homens devem ser reintegrados”, declarou, lembrando que o partido de Afonso Dhlakama “está devidamente representada no parlamento moçambicano” e, por isso, deve respeitar a Constituição da República.

Por seu turno, o porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Sande Carmona, disse à Lusa que o modelo diálogo entre o Governo e a Renamo está esgotado, considerando que o país está refém de dois partidos que defendem os seus interesses.

“Pouca coisa pode ser esperada deste modelo de conversações”, declarou o porta-voz da terceira maior força política do país.

Para o porta-voz do MDM, a criação de uma comissão para o fim da crise política e militar em Moçambique voltou a retirar a legitimidade à Assembleia da República, na medida que a paz é de “interesse de todos os moçambicanos” e o parlamento é o lugar ideal para debater o futuro do país.

“As questões soberanas como esta devem ser debatidas no parlamento”, declarou, acrescentando que, se as coisas continuarem como estão, o país não alcançará a paz.

Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Renamo, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

O Governo moçambicano e a Renamo retomaram em finais de maio as negociações em torno da crise política e militar em Moçambique, após o principal partido de oposição ter abandonado em finais de 2015 o diálogo com o executivo, alegando falta de progressos no processo negocial.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória eleitoral

Sob o lema “Juventude e a Agenda de Paz”, a conferência “Pensar Moçambique” juntou jovens, académicos, representantes de partidos políticos moçambicanos e analistas para debater os caminhos para a paz em Moçambique.

Fonte: Lusa

 

Anúncios