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Mapa divulgado em 2015 pelo EI com limites do califado até 2020

Há pouco menos de um ano, um mapa divulgado na Internet pelo Estado Islâmico com o território que o grupo terrorista deseja ver ocupado pelo seu califado até 2020 não deixa margem para dúvidas: na ponta, pintada a negro, a península ibérica, esse Al Andalus que os seus seguidores tanto desejam reconquistar. Nos primeiros meses deste ano, repetiram-se as ameaças, com um jihadistas a garantir num dos vídeos: “Os muçulmanos voltarão a povoar Córdoba, Toledo ou Játiva. Al Andalus não és espanhol ou português, és o Al Andalus muçulmano”.

Perante este cenário, não espanta pois que o Estado Islâmico disponha de um grupo específico cuja tarefa é preparar atentados contra o Al Andalus. A notícia foi avançada ontem pelo jornal espanhol ABC que se baseia em informações dos serviços secretos daquele país a que teve acesso. Esta é, segundo a mesma fonte, uma das razões para Espanha estar há um ano no nível 4 (em 5) de alerta terrorista.

O tal grupo, conhecido simplesmente como Al Andalus, fará parte da estrutura do Estado Islâmico que tem como tarefa planear os ataques do grupo responsável pelos ataques de 13 de novembro, que fizeram 130 mortos em Paris, de 22 de março, que mataram 32 pessoas em Bruxelas, mas também de Istambul, Daca e Bagdad que só na última semana fizeram quase 200 mortos.

Os serviços de informação espanhóis têm analisado a propaganda do Estado Islâmico, sobretudo online, tendo concluído que os principais alvos do grupo que neste momento domina um vasto território na Síria e Iraque são França, Bélgica, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Holanda e Espanha. O país foi alvo em 2004 de atentados coordenados da Al-Qaeda que mataram 191 pessoas em comboios da capital, Madrid.

Mas o Al Andalus não é só Espanha, inclui uma grande parte de Portugal. E a obsessão dos fanáticos do islão com ele é tudo menos nova. Bem antes do Estado Islâmico sequer existir, já a Al-Qaeda ameaçara atacá-lo, através das mensagens de Ayman al-Zawahiri, o egípcio que tomou a liderança da organização após a morte de Bin Laden em 2011. Período dourado da sua História para os 1500 milhões de muçulmanos, o Al Andalus serve a propaganda dos jihadistas que não se cansam se reivindicar esta terra usurpada.

Para Andrew Hosken, o jornalista da BBC que inclui o tal mapa do califado do Estado Islâmico no seu livro Império do Medo, o objetivo dos jihadistas é simples: “reconquistar tudo o que veem como o mundo islâmico”. E quando tiverem conquistado o seu califado, os seguidores de Abu Bakr al-Baghdadi pretendem “virar-se para o resto do mundo. Querem ter o mundo inteiro sob as suas ordens”, explicou Hosken ao Express.

Novo balanço e novo ataque

Enquanto em Bagdad, as autoridades iraquianas reviam em alta o balanço do atentado suicida de domingo – para 165 mortos e 225 feridos -, os terroristas voltavam a atacar outros alvos. Desta vez três suicidas fizeram-se explodir na Arábia Saudita, um deles junto ao consulado dos EUA em Jidá. o bombista morreu ao detonar a carga de explosivos que carregava, quando dois agentes da segurança se aproximaram dele. O ataque surgiu às primeiras hora do Dia da Independência dos EUA e pouco antes da primeira oração da manhã dos muçulmanos, que marca o início do período de jejum nestes últimos dias de Ramadão.

A explosão não fez outras vítimas mortais. Este consulado dos EUA já havia sido atacado em 2004 por jihadistas, fazendo na altura nove mortos. Ao longo do dia, haveria notícia de outros dois ataques suicidas na Arábia Saudita, um deles em Qatif, onde vive uma forte comunidade da minoria xiita, outra em Medina, a segunda cidade mais santa do islão, depois de Meca.

Estes atentados ainda não foram reivindicados, ao contrário dos de Istambul, Daca e Bagdad, todos eles da autoria do Estado Islâmico. Pelo menos é o que diz o grupo islamita. Já as autoridades do Bangladesh garantem que o ataque e sequestro a um café da capital, que acabou com 20 mortos, foi obra de militantes locais. Um dos suspeitos detidos ontem pela polícia é filho de um político do partido de governo.

Fonte: dn.pt

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