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Luisa Diogo, ex-Primeira Ministra de Moçambique

A antiga primeira ministra de Moçambique Luísa Diogo defende que a confiança entre o país e os parceiros internacionais “implica um tratamento diferenciado quando há tropeços”, referindo-se às dívidas de 1,4 mil milhões de dólares escondidas pelo Governo.

“A confiança implica um tratamento diferenciado quando há tropeços, implica dar o apoio necessário e confiança no trabalho que estamos a fazer”, disse Luísa Diogo que está em Portugal para a conferência ‘Portugal-Moçambique, Pontes para o Desenvolvimento Económico’, que decorreu na terça-feira em Cascais.

“Moçambique demonstrou durante anos ter um registo de país sério e de conformidade com as regras internacionalmente aceites e mostrou também ser um grande exemplo a nível regional e internacional”, vincou a antiga ministra das Finanças e chefe do Governo.

Na resposta, o embaixador da União Europeia em Moçambique, que assumiu também a presidência do grupo de doadores internacional conhecido como G14, rebateu o pedido de exceção e lembrou que os mercados internacionais “não têm paciência nem tempo para esperar pelo restabelecimento da confiança”.

“Os mercados não gostam de insegurança nem de incerteza”, disse Sven von Burgsdorff, acrescentando que “na situação atual é muito importante e cabe ao Governo tomar decisões rápidas para que a confiança se restabeleça nos mercados internacionais, que votam cada dia na disponibilidade dos seus dinheiros”.

Para este alemão que reside em Maputo e que representa a diplomacia da União Europeia, para além de liderar atualmente o grupo dos doadores internacionais que suspenderam a ajuda financeira no seguimento da divulgação de dívidas ocultas no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares, a criação de condições favoráveis ao ambiente de negócios vai ser fundamental.

“O ambiente de negócios vai ser muito importante, para que os empresários portugueses, moçambicanos, chineses, ou quais quer outros, se sintam bem tratados para poder investir e criar emprego”, vincou o diplomata.

Para Sven von Burgsdorff, Moçambique “a longo prazo tem um futuro ótimo, mas a curto e médio prazo algumas medidas têm de ser tomadas” e outros aspetos corrigidos: “Uma atuação mais bem coordenada a nível ministerial poderia ser facilitadora deste trabalho”, exemplificou.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu na sexta-feira, no final de uma visita a Moçambique, que o Governo deve adotar um pacote urgente e decisivo de medidas para evitar uma maior deterioração da economia e alerta que o país pode ter atingido um risco elevado de sobreendividamento.

“A missão (técnica do FMI) e as autoridades (moçambicanas) acordaram que este contexto exige um pacote urgente e decisivo de medidas de política para evitar uma deterioração acrescida do desempenho económico”, refere o Fundo no final da visita de uma equipa técnica da organização para avaliar a situação económica decorrente da descoberta de avultadas dívidas contraídas pelo Governo moçambicano fora das contas públicas.

Em particular, especifica o FMI, são necessários apertos substanciais ao nível fiscal e monetário, flexibilidade da taxa de câmbio, para restaurar a sustentabilidade macroeconómica, redução das pressões sobre a inflação e a balança de pagamentos, bem como o alívio das pressões sobre o mercado cambial, para restaurar o equilíbrio entre oferta e procura no mercado cambial.

Fonte: Lusa

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