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Jo Cor morreu horas depois de ter sido morta por um homem de 52 anos

Morreu a deputada do Partido Trabalhista britânico baleada e esfaqueada esta quinta-feira à tarde em Birstall, perto de Leeds, no Reino Unido. Jo Cox, de 41 anos, foi transportada para o hospital de Leeds de helicóptero, mas segundo o chefe da polícia de West Yorkshire tinha sido declarada morta pelos médicos no local do ataque.

Dee Collins anunciou a morte da deputada em conferência de imprensa, esta tarde. Jo Cox, que nas últimas semanas esteve profundamente envolvida na campanha contra o brexit, foi atacada à saída da biblioteca onde se encontrava com os seus eleitores. Deixa dois filhos pequenos e o marido, Brendan Cox, conselheiro dos Trabalhistas, que já depois do ataque e antes de ser anunciada a morte da mulher partilhou uma imagem da deputada junto à sua casa, um barco.

As reações não se fizeram esperar: o líder do Labour, o partido da deputada, diz que todo o país está “em choque com o assassinato horrível de Jo Cox”. Jeremy Corbin elogia “uma vida de serviço público e um compromisso profundo com a humanidade”. E sublinha que a deputada morreu a desempenhar um trabalho que está “no coração da democracia, ouvir e representar as pessoas que foi eleita para servir”.

O primeiro-ministro David Cameron também já expressou o seu pesar pela “tragédia”, numa publicação no Twitter. Cameron disse ainda que o país “perdeu uma estrela”, que era ótima deputada, com “enorme compaixão e uma grande coração”.

O ataque já teve consequências também nas campanhas pelo brexit e pela permanência na União Europeia: segundo a agência AFP, a campanha pela permanência do Reino Unido foi suspensa, tal como a campanha pela saída. O primeiro-ministro já cancelou a presença num comício em Gibraltar, prevista para esta noite.

A deputada foi atacada perto da biblioteca municipal de Birstall, onde tinha estado a receber e ouvir os seus eleitores. Segundo o comunicado da polícia de West Yorkshire, as autoridades foram chamadas por volta das 12:50. No local também estava também outro homem com ferimentos ligeiros, de 77 anos.

Um homem de 52 anos foi preso no local e a polícia não está à procura de mais suspeitos; foram também apreendidas várias armas. “Lançámos uma investigação para estabelecer os motivos deste ataque”, disse Dee Collins na conferência de imprensa. As autoridades estão a investigar alguns relatos de testemunhas que dão conta que o homem gritou “Britain First” no ataque, uma possível referência ao partido nacionalista e de extrema-direita com esse nome, que traduzido significa “Grã-Bretanha primeiro”.

Segundo uma testemunha, Hithem Ben Abdallah, que estava no café ao lado da biblioteca quando tudo aconteceu, o ataque durou entre 15 e 20 minutos. Abdallah contou à BBC que ouviu gritos e, quando correu para a rua, viu um homem a dar pontapés e a puxar o cabelo da deputada.

De acordo com Abdallah, o outro ferido é “um homem corajoso” que tentou ajudar a deputada e controlar o agressor, mas este “sacou uma arma” e disparou sobre Jo Cox. Abdalhah, de 56 anos, afirmou ainda que a arma parecia “artesanal”.

Clarke Rothwell, o dono de um café perto da biblioteca que testemunhou o ataque, também contou à BBC que o agressor parecia ter 50 anos e tinha um chapéu de basebol e um casaco. “Ele disparou uma e outra vez, ele caiu ao chão, inclinou-se sobre ela e disparou mais uma vez”, afirmou Clarke.

Antes de ser eleita, em 2015, Jo Cox trabalhava para a Oxfam. A deputada tem sido uma defensora do apoio ao refugiados sírios. Nas últimas semanas tinha estado empenhada na campanha pela permanência na União Europeia e ontem esteve mesmo numa ação no Tamisa, em que partidários das duas campanhas se envolveram numa acesa troca de palavras. Uma imagem partilhada pelo marido, Brendan Cox, conselheiro dos Trabalhistas, mostra o casal e os dois filhos num barco no Tamisa.

O casal é próximo do antigo líder Gordon Brown, que já manifestou o seu pesar.

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