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Grupo lamenta ataque a boate em Orlando (Foto: Steve Nesius/Reuters)

Cinquenta pessoas morreram e 53 ficaram feridas num tiroteio numa discoteca “gay”, em Orlando, que está a ser tratado como “ato de terrorismo”. É o pior da história dos EUA.

Inicialmente, o responsável pela Polícia de Orlando, John Mina, referiu em conferência de imprensa que o número de mortos era de “aproximadamente 20 pessoas”. Mais tarde, o presidente da câmara da cidade, Buddy Dyer, confirmou 50 vítimas mortais.

Trata-se do pior massacre feito por um só atirador na história dos Estados Unidos da América, ultrapassando o ocorrido em 2007 na Universidade da Virgínia Tech, que terminou com 32 mortos.

O presumível atirador foi identificado como Omar Mateen, cidadão norte-americano de origem afegã, nascido em 1986, referem os canais televisivos CBS e NBC.

Tinha duas armas de fogo, uma pistola e uma espingarda. Foi morto num confronto com a Polícia, uma operação de envolveu cerca de nove agentes, tendo um deles ficado ferido.

Possível acto terrorista

O FBI anunciou estar a investigar o massacre no Pulse Club como um “ato de terrorismo” e que o suspeito poderá ter “uma inclinação” para o terrorismo islâmico.

“Sempre que temos potencialmente dezenas de vítimas nas nossas comunidades, penso que podemos classificar [a situação] de atividade terrorista. Se é terrorismo interno ou internacional, é algo que iremos desvendar”, disse Danny Banks, do departamento de aplicação das leis na Florida.

Questionado acerca da existência de alguma razão que levasse a crer que este tiroteio tem relação com o movimento extremista Estado Islâmico, o agente especial Ron Harper disse que os investigadores vão analisar “todos os ângulos”. “Temos indicações de que este indivíduo pode ter inclinação para essa ideologia particular, mas não podemos dizer terminantemente”.

Atirador “organizado e bem preparado”

Depois de uma troca de tiros já fora do clube, o atirador fugiu para o interior da discoteca, onde fez vários reféns, informou John Mina, dizendo ainda que a Polícia recebeu chamadas telefónicas de pessoas que estavam no Pulse, mas afastadas do atirador.

Quatro horas depois do ataque, que começou pelas 2 horas locais (7 horas em Portugal continental), foi ouvida uma explosão dentro do clube, que foi “controlada” pelas forças policiais. “O atirador que estava no interior do clube está morto”, garantia então a Polícia de Orlando através do Twitter.

O presumível atirador estava “organizado e bem preparado”.

“Alguém começou a atirar. As pessoas atiraram-se para o chão”, relatou uma testemunha, Ricardo Negron, em declarações à Sky News.

“Houve uma curta pausa nos tiros e alguns de nós conseguimos levantar-nos e sair a correr pelas traseiras” do edifício, acrescentou. Para Ricardo Negron, “houve certamente pessoas feridas ou pior”.

O Pulse de Orlando, que se apresenta no seu site como “o bar gay mais quente de Orlando”, tinha publicado na sua página de Facebook, pouco depois dos primeiros tiros, uma mensagem: “Saiam todos e corram”.

Imã pede à população para não tirar conclusões precipitadas

Devido à dimensão da tragédia, o presidente da cidade, Buddy Dyer, pediu ao governador do Estado da Florida que instaurasse o estado de emergência, o que permite mobilizar recursos suplementares.

As autoridades permitiram a um imã local intervir durante a conferência de imprensa convocada para apresentação das informações já disponíveis sobre o tiroteio.

O responsável religioso apelou à calma e pediu à população e aos meios de comunicação social que não tirem conclusões apressadas acerca do que motivou o autor dos disparos.

O congressista democrata pela Florida Alan Grayson avançou que agentes da Polícia já se deslocaram a casa do suspeito para recolher informação dos seus computadores, material escrito e mensagens nas redes sociais.

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