image

O vice-presidente da petrolífera Anadarko considera que o escândalo da dívida escondida e a difícil situação financeira de Moçambique não vão impedir que a empresa decida sobre o investimento na exploração de gás.

“Estamos cientes dos problemas de dívida de Moçambique e enquanto o Governo trabalha sobre isso, nós estamos a trabalhar arduamente para definir um conjunto de acordos com o Governo que vão lançar as bases para os acordos definitivos de vendas com os clientes de gás natural líquido”, disse o vice-presidente com o pelouro da comunicação da petrolífera norte-americana, John Christiansen.

“Depois de esses acordos e dos financiamentos estarem definidos, estaremos em posição de tomar uma Decisão Final de Investimento” sobre a construção de uma central de gás natural líquido (LNG, na sigla em inglês), acrescentou o responsável, em declarações à agência de informação financeira Bloomberg.

A Anadarko e a Eni, que já vão ter de adiar a meta de 2018 para o início da exportação de gás moçambicano, são as duas principais empresas que estão a investir fortemente na exploração das reservas de gás natural do país, que são das maiores do mundo.

Moçambique pode receber 212 mil milhões de dólares durante o período do projeto, só em receitas provenientes da Area 1 concessionada à Anadarko, segundo um estudo de 2014 do Standard Bank, que calcula que o tamanho da economia moçambicana possa crescer nove vezes até 2035.

Os investimentos no país neste setor podem chegar a 100 mil milhões de dólares e fazer o Produto Interno Bruto do País (PIB) crescer cerca de 24% ao ano entre 2021 e 2025, quando a extração de LNG estiver em pleno funcionamento, de acordo com os cálculos feitos pelo Fundo Monetário Internacional antes da divulgação de uma dívida escondida de mais de 1,4 mil milhões de dólares em empréstimos contraídos no princípio desta década.

A divulgação destes elementos levou as agências de notação financeira a descerem o rating do país, afundando-o ainda mais em território de não investimento, geralmente conhecido como ‘lixo’, e os custos de financiamento, consequentemente, subiram, mas a estes problemas há que juntar também a suspensão do financiamento do FMI e dos doadores internacionais.

As dificuldades financeiras e o aumento do custo da dívida, que a Moody’s estima em mais 250 milhões de dólares só nos empréstimos não divulgados, já originaram que Moçambique falhasse o pagamento de uma prestação da dívida da Mozambique Asset Management e ao anúncio da vontade da Aeroportos de Moçambique de reestruturar uma dívida de 500 milhões de dólares.

Para o responsável do setor do Petróleo e Gás na consultora BMI, Christopher Haines, o recente anúncio de que a petrolífera sul-africana Sasol espera aumentar significativamente a oferta de eletricidade em Moçambique, através do processamento de novas reservas de gás na província de Inhambane, num investimento inicial de 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), é uma boa notícia, mas não é suficiente para mudar o país.

“A África do Sul pode acabar por ser a pioneira no LNG de Moçambique, e certamente beneficiaria da vantagem de as distâncias serem curtas, mas os volumes seriam provavelmente pequenos”, comentou o analista energético à Bloomberg.

“Moçambique precisa de garantir os contratos de longa duração com a Índia e o Japão, e provavelmente um preço mais alto do petróleo, para a Anadarko poder pedir suficiente dinheiro emprestado sem ter de pagar taxas de juro astronomicamente altas”, concluiu.

A rapidez vai ser um fator essencial, nota o diretor do departamento de gás na consultora norte-americana IHS: “Se alguém dos projetos avançar com a Decisão Final de Investimento e estiver pronto para começar a produzir no princípio da década de 2020, então vai entrar no mercado mesmo na altura em que a procura e a oferta se equilibram”, disse Chris Holmes.

“Se Moçambique falhar essa janela de oportunidade, então será um dos muitos países que vão tentar explorar a próxima janela de oportunidade”, sentenciou o analista.

Fonte: Lusa

Anúncios