imageO supervisor financeiro britânico está a investigar o Credit Suisse e o russo VTB Bank devido a uma operação de reestruturação de centenas de milhões de euros de dívida de uma empresa pública moçambicana, segundo o The Wall Street Journal.

Em causa estão possíveis violações das obrigações de informação prestadas aos investidores relativamente a uma operação de reestruturação de dívida, avançou o jornal norte-americano, que cita fontes próximas do processo.

De acordo com a publicação, os negócios visados implicaram empréstimos de 622 milhões de dólares (560 milhões de euros) para a compra de equipamento militar, e de 535 milhões de dólares (470 milhões de euros) para um estaleiro naval, bem como 850 milhões de dólares (748 milhões de euros) em títulos de dívida (obrigações) destinados à compra de uma frota de pesca de atum.

Grande parte do dinheiro destinado à aquisição da frota de pesca de atum foi desviado para a compra de equipamento militar, de acordo com os documentos orçamentais tornados públicos pelo governo moçambicano, indica o jornal norte-americano. Estas obrigações perderam quase todo o seu valor e tiveram que ser reestruturadas este ano.

A Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido está a investigar se os dois bancos em causa, envolvidos na operação através das suas filiais em Londres, falharam na informação que passaram ao mercado.

Isto, porque há investidores que se queixam de que não foram informados dos empréstimos que existiam à data da reestruturação das obrigações, tendo adquirido títulos sem ter acesso a toda a informação existente.

Até porque, apesar de os bancos não terem dado conta da existência destes empréstimos durante as suas iniciativas de divulgação da operação de reestrututração de dívida junto dos investidores, incluíram-nos no cálculo da dívida pública consolidada de Moçambique fornecido aos investidores.

Contactados pelo The Wall Street Journal, os porta-vozes do Credit Suisse e do regulador britânico recusaram-se a prestar declarações, enquanto fonte oficial do VTB Bank disse que não tinha conhecimento de quaisquer investigações.

Moçambique está a enfrentar exigências dos doadores para que revele o estado das finanças, incluindo uma listagem de todas as dívidas existentes e pendentes.

As agências de notação financeira Standard and Poor’s, que estima que a dívida de Moçambique ronda os 90% por cento do produto interno bruto, este ano, e Fitch reduziram este mês a avaliação do crédito de Moçambique, devido ao aumento do risco de incumprimento pela interrupção de financiamento externo.

O Governo moçambicano reconheceu no final de abril a existência de dívidas fora das contas públicas de 1,4 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros), justificando com razões de segurança e infraestruturas estratégicas do país, o que levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a suspender a segunda parcela de um empréstimo a Moçambique e a deslocação de uma missão a Maputo.

Fonte: Lusa

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