Hissene_habre_chadeHissène Habré, ex-Presidente do Chade, foi considerado culpado por crimes contra a humanidade e por ter ordenado o assassinato e tortura de milhares de opositores políticos durante os oito anos que chefiou o país. Habré foi condenado a prisão perpétua por um tribunal especial criado, em 2013, pelo Senegal e pela União Africana.

“Hissène Habré, este tribunal considera-o culpado de crimes contra a humanidade, violação, escravatura e rapto”, afirmou Gberdao Gustave Kam, presidente do tribunal, antes de revelar que o tribunal o condenava a prisão perpétua.

O tribunal revelou ainda que Hissène Habré, de 72 anos, dispõe de duas semanas para recorrer da sentença. O ex-presidente do Chade recusou falar perante os juízes por não lhes reconhecer a autoridade.

Os investigadores descobriram que mais de 40.000 pessoas foram mortas entre 1982 e 1900, durante a administração de Hissène Habré, que foi marcada por uma feroz repressão contra os opositores e por ataques a grupos éticos rivais.

Várias testemunhas relataram, em tribunal, o horror vivido nas prisões do país e relataram, com vários pormenores, as punições impostas pela polícia secreta de Habré.

No entanto, a defesa do ex-Presidente do Chade argumentou que Hissène Habré poderia não ter conhecimento dos abusos.

O tribunal especial foi criado pela União Africana no âmbito de um acordo com o Senegal, sendo a primeira vez que um país processa um antigo líder de outra nação por crimes contra a humanidade.

Advertência para outros ditadores

Reed Brody, advogado da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, que trabalhou nos últimos 15 anos com as vítimas de Habré para o levar à justiça, espera que esta condenação seja uma advertência para outros ditadores.

“Este veredicto envia uma poderosa mensagem de que todos os dias os tiranos podem brutalizar o seu povo, pilhar a sua riqueza e escapar com uma vida de luxo no estrangeiro estão a acabar”, afirmou Reed Brody.

Para o advogado, “a condenação de Habré para estes crimes horríveis depois de 25 anos é uma grande vitória para as vítimas do Chade”.

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