Real_madrid_champion_milan_2016Durante grande parte da noite deste sábado, Milão se pareceu à Lisboa da final de 2014, mas ao contrário. O Real Madrid saiu na frente, o Atlético empatou no segundo tempo, quando desabavam fisicamente os merengues, e veio o prolongamento, reduto dos sonhos e angústias. O Real resistiu puxado por Casemiro, o Atlético se aferrou às pernas de Carrasco, mas ninguém conseguiu tirar o empate do placar − e a glória foi definida na marca dos 11 metros. Na cobrança de penaltis, Milão se pareceu totalmente a Lisboa. Cristiano Ronaldo marcou o golo de penalti que pôs fim ao drama e o Real Madrid voltou a abrir o Olimpo para acrescentar a Orejona (“orelhuda”), sua 11.ª taça da Champions League em 14 finais.

As actuações no estilo Super Bowl de Alicia Keys e Andrea Bocelli atrasaram o início da final e transformaram o túnel dos vestiários num divã. Da mistura de tensão, responsabilidade, concentração, desejos e recordações, saiu melhor para o relvado o Real Madrid. Já os jogadores de Simeone começaram tensos e demoraram meia hora para se reconhecer a si mesmos. Aos 15 minutos de jogo, os merengues encontraram o golo. Seis minutos depois, os colchoneros do Atlético tiveram outro balde de água fria com o penalti cobrado por Griezmann no travessão. Houve tempo para o empate do Atlético, mas o ganhador da lotaria acabou sendo o Real. A sua primeira vitória no estádio San Siro veio no melhor momento.

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Cristiano Ronaldo celebra o golo depois de marcar o penalti.

Keylor Navas e Oblak, protagonistas episódicos. Oblak, o guarda-redes do Atlético, protagonizou o primeiro lance importante da final quando, aos seis minutos, desviou com a perna esquerda, em cima da linha do golo, o remate à queima-roupa de Benzema, após uma falta cobrada por Bale. Uma exibição de reflexo que ele não pôde repetir no golo de Ramos, de novo a um palmo da linha do golo. Já o costa-riquenho Navas, do Real, não gastou as suas luvas nem na cobrança de penalti de Griezmann. Um protesto táctico, que lhe valeu cartão amarelo, e a sua dança latina de trave a trave provocaram, isso sim, dúvidas no técnico francês. Aos 25 minutos do segundo tempo, Oblak voltou a ser um gigante. Primeiro, transformou-se na muralha na qual Benzema acertou o remate que poderia ter definido o jogo. Depois, defendendo um remate sem potência de Cristiano Ronaldo. E, mais tarde, neutralizando uma ameaça dupla do português e de Bale. Um minuto depois, veio o empate do Atlético.

Sergio Ramos repete o golo e o título. O herói da Décima Conquista da Champions aumentou a sua lenda adiantando o relógio. Dos 48 minutos do segundo tempo de Lisboa aos 15 minutos do primeiro em Milão; de uma cabeçada milagrosa a um toque subtil em impedimento na disputa com Savic. Depois do golo teve o trabalho de conter o adversário com Pepe. A influência dos defesas do Real cresceu conforme a pressão do Atlético se transformava em assédio. Savic e Godín viram Benzema ser substituído, Cristiano Ronaldo mancar e as pernas de Bale fraquejarem. Enquanto isso, Sergio Ramos e Pepe tiravam água ao mesmo tempo em que o dique branco se despedaçava muscularmente. Chegaram aos penaltis. Conquistaram o seu objectivo.

Laterais de cor vermelha e branca. Os laterais foram os melhores do Atlético no primeiro tempo. As disparadas firmes de Filipe pelo lado esquerdo permitiram à equipa de Simeone se livrar do domínio do Real e do seu próprio medo. A primeira chegada com perigo vermelha e branca foi um cruzamento de Filipe e uma finalização de Juanfran. Os dois estabeleceram uma forma de jogar e as suas chegadas à frente alteraram o ritmo da partida após a meia hora inicial de controle branco. Carvajal precisou ajudar a defesa e Marcelo quase não foi ao ataque. Aos cinco minutos do segundo tempo, mancando e aos prantos, o madridista foi substituído por contusão. Perdeu o restante da final e talvez a Eurocopa. Danilo dissimulou o seu naufrágio com a vitória e Juanfran ficou com a infelicidade do erro decisivo.

Do governo de Casemiro ao machado de Carrasco. A presença de Casemiro como força defensiva no meio de campo do Real Madrid foi a base da contenção da sua equipa. Imperial na partida, sempre consistente, fundamental até o fim. Roubou, marcou território, libertou Modric e Kroos, pressionou a saída de bola do Atlético e governou o primeiro tempo com autoridade. A sua força física e marcação anularam a aposta de quatro meias de Simeone que, ao voltar dos vestiários, colocou Carrasco, mudou o esquema para o 4-1-4-1 e partiu ao ataque contra o Real. O ex-jogador do Mônaco substituiu Augusto, soltou a sua equipa e deu um baile a Danilo, mais Secretario (ex-jogador do Real Madrid) do que nunca. A sua actuação manteve a fé vermelha e branca.

Cristiano Ronaldo, do anonimato ao remate final. O seu grito de guerra ecoou no San Siro. Como na Décima Conquista do Real, o seu torso foi o pôster do campeão. Bale começou dinâmico e vertical, mas acabou sem gás com o passar do tempo. O galês monopolizou os primeiros ataques, cobrou faltas com perigo e desviou a bola que Sergio Ramos colocou nas redes. A sua parceria funcionou melhor com Benzema, inconstante, mas incisivo, do que com Cristiano Ronaldo, desafinado, isolado e sem condições físicas. Os penaltis deram ao português a ocasião de adiccionar a terceira Champions a sua colecção. A Décima Primeira estava a 11 metros.

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