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Cidade de Maputo, capital moçambicana/Foto EGMatos

Importantes indicadores da economia moçambicana vieram à público na semana passada. O primeiro deles foi o anúncio do índice de preços ao consumidor referente ao mês de abril, apontando para uma expansão de 2,24%. No total acumulado nos últimos 12 meses, a inflação em Moçambique chegou a alarmantes 17,29%, a maior desde dezembro de 2010.

Conforme foi relatado na semana passada, grande parte da aceleração inflacionária se dá devido à significativa desvalorização do Metical frente ao Dólar americano. Comparado a maio do ano passado (2015), a moeda nacional acumula uma desvalorização cambial de aproximadamente 40%, encarecendo o preço final dos produtos importados.

Vários dos produtos que compõe a cesta básica de alimentos são importados, o que explica as pressões inflacionárias ilustradas pelo índice. Segundo os dados oficiais, os produtos que acumularam as maiores taxas de crescimento anual no preço foram a cebola (25,7%), o tomate (22,4%) e as batatas (11,7%).

Tendo em vista o iminente processo de aceleração da inflação, o Banco Central (BC) de Moçambique adotou uma política de subida das taxas de juros. Na semana passada, o BC decidiu manter a taxa de juros em 12,75% ao ano, uma das mais altas da região subsaariana.

A medida também é tomada tendo em vista a recente perda de prestígio entre os investidores estrangeiros, principalmente após a divulgação de operações financeiras não declaradas entre o Governo e empresas estatais. Na semana passada, por exemplo, o Governo americano anunciou que irá reavaliar o empréstimo anual de 400 milhões de dólares que o país concede todos os anos a Moçambique.

Espera-se que com a interrupção dos investimentos estrangeiros, a diminuição no fluxo de dólares impacte ainda mais na desvalorização do Metical, pressionando o índice de preços. Com o intuito de resolver a perda de confiança dos investidores internacionais, o Presidente Filipe Nyusi viajou esta semana à China, principal parceiro comercial e diplomático fora do continente africano.

A China vem se posicionando como importante parceiro de Moçambique na consecução de investimentos para projetos de cooperação e na abertura comercial para a importação de metais – produtos que representam 34% da pauta exportadora do país. Tendo em vista a atual conjuntura e a crescente degradação das relações diplomáticas e comerciais de Moçambique com os países europeus e com os Estados Unidos, o continente asiático aparece como possível saída estratégica para mitigar os problemas internos que não cessam de eclodir.

Fonte: Afrika News

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