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Deputados comemoram o “sim” de Tirica/Foto UESLEI MARCELINO REUTERS

O actual momento político vivido pelo Brasil reforça a discussão sobre o papel da ética no quotodiano. Para o professor e historiador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Leandro Karnal, esta é a oportunidade de se exercitar esta postura tão cobrada de governos e empresas, estimulada principalmente pelas revelações com as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

“Há um interesse colectivo sobre o tema actualmente. Mas, está a faltar, além da crítica à falta de ética em Brasília e das grandes empreiteiras, que nós consigamos pensar na microfísica do poder, ou seja, na falta de ética na escola, nas famílias e nas empresas. Não existe país no mundo em que o governo seja corrupto e a população honesta e vice-versa”, apontou o especialista durante uma palestra em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, na noite de quinta-feira (12).

Karnal comparou o atual cenário brasileiro, de experiência democrática ainda curta e em aperfeiçoamento, com a revolução francesa no fim do século 18. “Aquilo que a França discutiu com mais violência e com mais sangue naquela época nós estamos discutindo agora, com menos violência e menos sangue, mas com bastante intransigência”, alertou ao falar sobre a polarização nas discussões políticas, entre, por exemplo, grupos a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e os contrários.

“A participação das massas não garante a lisura dos processos. Principalmente se lembrarmos que o primeiro plebiscito da história foi quando as massas tiveram que escolher entre Jesus e um ladrão e optaram pelo ladrão. Mas estas discussões são um passo importante para este treinamento difícil e permanente que significa o exercício democrático”, reforçou o historiador. “O ruim deste momento é que pouca gente escuta e muita gente dá opinião.”

Parte desta liberdade, lembra, se deve à democratização do país e à independência do Judiciário e da Polícia Federal. Já que durante a ditadura militar e há até pouco tempo, os escândalos que vinham à tona eram os que envolviam os governos anteriores. “A ética no Brasil era a ética da oposição ou do governo passado. Até então o governo nunca tinha tido um problema com o atual governo. Então nós temos hoje na prisão eminências pardas do poder. Isto é uma novidade.”

Fonte: globo.com

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