imageO Banco de Moçambique avisou esta sexta-feira para a necessidade de austeridade para garantir a estabilidade macroeconómica, quando o metical continua a desvalorizar-se e a inflação a crescer, a que se somou entretanto a suspensão dos financiamentos dos principais doadores.

A conjuntura “particularmente difícil que o país atravessa”, segundo um comunicado do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (BM), reunido em Maputo, “demanda maior austeridade e trabalho acrescido de todos os setores da economia”, prevendo a revisão em baixa das estimativas de crescimento do PIB e da taxa anual de inflação.

O Comité, de acordo com o comunicado, “tomou nota, com preocupação, da decisão do grupo de parceiros de apoio programático (G14), a que se juntaram outros parceiros externos, de suspender os desembolsos de ajuda prometidos ao país”, em resultado da revelação de avultados empréstimos garantidos pelo Estado e que não constavam nas contas públicas.

A decisão dos principais parceiros internacionais terá “potenciais impactos negativos sobre o Orçamento de Estado e balança de pagamentos”, num período em que as agências de notação financeira reveem os seus ‘ratings’ para Moçambique, diz o órgão do BM, recordando igualmente os efeitos dos desastres naturais e da crise político e militar no centro do país.

“Esta situação sugere a revisão das projeções iniciais do crescimento do PIB e inflação, para além do reforço da coordenação de políticas fiscal-orçamental e monetário-cambial tendentes a repor as condições de estabilidade macroeconómica”, considera o BM.

No mês passado, o banco central já tinha admitido que a revelação das chamadas dívidas escondidas pode exigir “medidas de ajustamento” para assegurar a sustentabilidade da dívida e a estabilidade macroeconómica, anunciando uma subida das taxas de juro de referência, a quinta em sete meses.

Na reunião de hoje, o Comité de Política Monetária manteve as taxas em vigor, tendo decidido reforçar a intervenção nos mercados interbancários de modo a garantir o saldo da base monetária previsto para este mês.

A inflação, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) continua a subir, tendo a homóloga e média anual agravado para 15,29% e 6,48%, respetivamente, após 12,31% e 5,14% no mês anterior, refletindo o aumento dos preços dos produtos alimentares, mas também as limitações à circulação de bens no centro do país, em resultado da crise político-militar, a seca, a falta de produção doméstica de produtos agrícolas, e ainda a depreciação do metical.

No final de abril, a moeda moçambicana continuava a sua tendência de queda face ao dólar, numa depreciação mensal de 5,26% e anual de 59,12%, contra os 46% observados no mês anterior.

Do mesmo modo, o indicador de clima económico, medido pelo INE, “deteriorou-se no mês de março, pelo segundo mês consecutivo, em resultado das perspetivas desfavoráveis da procura e de preços”.

O saldo das Reservas Internacionais Brutas, segundo o banco central, correspondia no final do mês passado a 3,2 meses de cobertura das importações de bens e serviços não fatoriais e de 2,5 meses, se incluídos os grandes projetos.

Fonte: Lusa

 

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