Em Roma, antes de partir para Moçambique, o Presidente português quis ouvir quem “conhece o terreno e gosta” do país.

imageO Presidente Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que se reuniu com a Comunidade de Santo Egídio, em Roma, esta segunda-feira de manhã, a pedido desta. O encontro foi “muito útil” para recolher informações sobre Moçambique, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

“Em rigor o que aconteceu foi que a Comunidade pediu para ser recebida, foi recebida e expôs a sua visão acerca de Moçambique”, afirmou Marcelo, justificando este encontro que não constava da agenda oficial de uma visita de dois dias a Roma.

A Comunidade de Santo Egídio é uma das instituições-chave da Igreja para processos de paz. Mediou o processo que pôs fim à guerra civil em Moçambique, em 1992.

A horas de partir para uma visita de Estado a Moçambique, o chefe de Estado recordou que a Comunidade de Santo Egídio “há muitos anos acompanha a situação moçambicana”.

“Estando de partida para Moçambique ainda hoje [segunda-feira], é natural que tenha sido importante recolher informação sobre Moçambique”, disse, considerando que “foi muito útil ouvir a posição da Comunidade de Santo Egídio”.

O chefe de Estado indicou a importância de ter recolhido informação sobre o país na “óptica que de quem está no terreno e conhece o terreno e gosta de Moçambique”.

“Temos esse ponto em comum, gostamos de Moçambique e foi muito útil ouvir a posição da Comunidade de Santo Egídio”, concluiu o Presidente da República, que se escusou a antecipar declarações sobre a situação de Moçambique antes de chegar ao país.

Questionado se a altura é oportuna para se deslocar ao país, respondeu: “Se não fosse o momento oportuno não teria proposto esta data e não teria sido aceite pelo Presidente moçambicano. É oportuno para Portugal e é oportuno para Moçambique”.

“Um caminho para o diálogo”

A organização católica Comunidade de Santo Egídio, criada em Roma em 1968 e composta essencialmente por leigos, teve um papel fundamental na mediação das negociações que levaram à assinatura do Acordo Geral de Paz entre Frelimo e Renamo, em Roma, a 4 de Outubro de 1992, após 16 anos de guerra civil.

Em declarações à Lusa, a partir de Roma, o padre Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, afirmou que o encontro desta segunda-feira com o Presidente português teria como objectivo a procura de “um caminho para o diálogo” entre Frelimo e Renamo.

Marcelo Rebelo de Sousa já se tinha encontrado com a Comunidade de Santo Egídio em Roma a 16 de Março, na véspera da sua audiência com o papa Francisco, no Vaticano. Essa foi a sua primeira deslocação ao estrangeiro, uma semana depois de tomar posse.

fonte: Rádio Renascença (Portugal)

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