PORTUGAL MARCELO RABELO DE SOUSA

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, vai encontrar-se, em Roma, com a Comunidade de Santo Egídio, na segunda-feira, na procura de “um caminho para o diálogo” que ponha fim à crise político-militar em Moçambique, disse à Lusa um responsável da comunidade.

Em declarações à Lusa, a partir de Roma, o padre Angelo Romano, da Comunidade de Santo Egídio, falou dos “obstáculos no caminho do diálogo” entre o Governo e Renamo e enquadrou os contactos com Marcelo Rebelo de Sousa: “Como todos os amigos de Moçambique, estamos a ver o que é que podemos fazer. Queremos fazer qualquer coisa, em colaboração com as autoridades do país.”

Questionado se espera que a visita de Estado do Presidente português a Moçambique, entre terça-feira e sábado, contribua para algum progresso na abertura de conversações entre as partes, o responsável da Comunidade de Santo Egídio respondeu: “Espero, absolutamente”.

Marcelo Rebelo de Sousa, aguardado em Maputo na terça-feira, vai reunir-se com os três partidos com assento parlamentar na Assembleia moçambicana, Frelimo, Renamo e MDM (Movimento Democrático de Moçambique), no âmbito da visita de Estado àquele país que inicia na terça-feira. Os encontros, que não constam da agenda oficial mas não são considerados secretos, foram pedidos pelas forças políticas e Belém recusa querer ter um papel de mediação entre elas.

“O Presidente não vem cá para mediações”, disse ao jornal PÚBLICO fonte diplomática portuguesa: “Queremos acreditar que os moçambicanos conseguirão ultrapassar por si próprios os seus diferendos, assim todos se empenhem nesse sentido”.

Segundo a mesma fonte, se as forças políticas “não estão empenhadas ou se não há cumprimento da lei, isso num país soberano depende dos próprios”. “Não são os estrangeiros que têm de encontrar soluções”, sublinha ainda.

Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa é recebido pela Presidente da Assembleia da República de Moçambique, Verónica Macamo, um encontro que consta da agenda oficial e que é considerado por fonte diplomática como simbólico, porque representa o Parlamento no seu conjunto, num momento em que a instituição se encontra fechada.

Na véspera, Marcelo janta com Felipe Nyusi, seu homólogo, no Palácio da Ponta Vermelha, o mesmo onde residiu quando o seu pai ali era governador-geral.

O Chefe do Estado luso fará em Moçambique a sua primeira visita de Estado entre terça e sexta-feira, com o objectivo de fortalecer as relações entre os dois países nas vertentes económica, institucional, cultural e de cooperação, tendo uma agenda muito preenchida.

Com Lusa e Público

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