Escola_Secundária_Francisco_Manyanga_Maputo

Vista frontal da Escola Secundária Francisco Manyanga em Maputo

A Polícia moçambicana (PRM) repeliu esta sexta-feira, em Maputo, uma acção pública promovida por algumas organizações da sociedade civil que contestam a obrigatoriedade do uso de saias compridas em algumas escolas públicas do país.

As manifestantes consideram a introdução da norma de ilegal e por isso convocaram uma marcha defronte da Escola Secundária Francisco Manyanga. Por ser também uma acção ilegal, segundo a Polícia, o acto foi repelido.

Segundo escreve hoje o “Notícias”, dada a resistência das líderes do grupo de manifestantes, a Polícia foi forçada a impor a ordem, detendo cinco das envolvidas, duas das quais estrangeiras.

A manifestação, agendada para as 11.00 horas, tinha como objectivo chamar atenção àquilo que aquelas organizações da sociedade civil apelidam de manobras e artimanhas que as escolas usam para justificar reprovações e distracção de professores e alunos nos estabelecimentos de ensino.

“Não são as meninas a razão do fracasso da Educação em Moçambique. Não serão as maxi-saias que irão mudar esse cenário. Não é controlando e “sexualizando” o corpo de meninas que nós vamos afirmar que estamos a melhorar a qualidade do ensino. Deve-se discutir e analisar de forma profunda os problemas da Educação, do que impor práticas fundamentalistas”, anotou Maira Domingos, do Fórum Mulher, uma das organizações promotoras da manifestação.

As organizações exigem a retirada nas escolas de normas que, segundo elas, limitam direitos de mulheres e raparigas com base na indumentária, assim como a responsabilização criminal de professores que perpetuam a violência contra meninas.

Contudo, até à hora marcada para o início da manifestação a Polícia já estava posicionada no local. Enquanto isso, grupos de mulheres, adolescentes e jovens iam chegando, algumas das quais transportadas em “mini-bus”. Os panfletos, os dísticos e megafones iam sendo preparados ao pormenor para o arranque da manifestação.

Quando tudo parecia estar no ponto, um represente da Polícia convidou as manifestantes para abandonarem o local, pois a sua presença e forma de manifestar, para além de ilegais, perturbavam o curso normal de aulas.

O afastamento aconteceu, mas não paravam as canções de apelo à união entre as mulheres para lutarem em prol dos seus direitos, ao mesmo tempo que dançavam num claro desafio às autoridades policiais.

Convidado a pronunciar-se em relação ao sucedido, o director da Escola Secundária Francisco Manyanga, Orlando Dimas, fez saber que a norma para o uso de saia comprida já existe há três anos. Contudo, avançou que até ao momento existem raparigas que se fazem àquele estabelecimento trajadas de saias até ao joelho ou um pouco abaixo.

“Estamos a falar de uma norma que existe em qualquer instituição que tem seu padrão de fardamento. Eu não sei como é que elas pensam que numa escola devemos viver sem ordem e regras concretas. É inconcebível que adultos instrumentalizem as crianças para objectivos próprios. A medida é para disciplinar as crianças, apenas isso”, observou Orlando Dimas, citado pelo “Notícias”.

Fonte AIM

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