Polícia moçambicana apela à rendição de grupo armado em Mocímboa da Praia

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Bernardino Rafael, Comandante-Geral da PRM

O comandante-geral da Polícia República de Moçambique (PRM) apelou à rendição dos autores dos ataques armados a Mocímboa da Praia e arredores, no norte do país, nos últimos dois meses.

Bernardino Rafael falava na quinta-feira durante um encontro com a população e é citado hoje na imprensa moçambicana.

Durante a sua intervenção, o líder da PRM referiu que os atacantes devem entregar-se no prazo de sete dias e deixou a ideia de que, se o fizerem, podem beneficiar de condições mais favoráveis no tratamento dos respetivos casos.

“Ao arrepender-se e entregar-se com as respetivas armas e catanas, iremos perdoá-los e entregá-los nos processos normais de produção e desenvolvimento do país”, referiu, de acordo com o jornal Notícias de hoje.

Caso contrário, serão classificados como “terroristas” e “combatidos sem trégua”.

O ataque de um grupo armado a postos de polícia em Mocímboa da Praia sitiou a vila durante dois dias, a 04 e 05 de outubro, e prolongou-se na forma de conflitos esporádicos pelo resto do mês nos arredores.

No balanço, morreram pelo menos dois agentes e outros quatro elementos das forças de segurança, além de um número incerto de atacantes que diferentes dados das autoridades colocam acima das 10 vítimas.

Os ataques motivaram a transferência preventiva, com recurso a helicópteros, de pessoal de empresas ligadas a investimentos de gás natural na região, disseram no à Lusa no local fontes ligadas à operação.

A empresa petrolífera Wentworth, que está a realizar prospeção na zona, anunciou aos investidores em novembro que adiou algumas operações ligadas à abertura de um novo furo devido aos incidentes.

O governo distrital de Mocímboa da Praia anunciou há 10 dias a identificação de dois suspeitos, cujo paradeiro é desconhecido, de organizarem os ataques.

Ao mesmo grupo é atribuída a autoria de dois homicídios e ferimentos noutras duas pessoas na aldeia de Mitumbate, já no início de dezembro, onde terão ateado um incêndio que destruiu 27 casas.

Fonte: Lusa

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Dívida limita crescimento em Moçambique mas perspectivas e médio prazo são boas

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Imagem da montagem da unidade de exploração do grafite em Balama

A agência de notação financeira Fitch considerou hoje que a recuperação económica em Moçambique está a ser limitada pelos efeitos da crise da dívida, mas as perspetivas de crescimento a médio prazo são fortes.

“A recuperação económica está a ser restringida pelos efeitos da crise da dívida; as perspetivas de crescimento a médio prazo, no entanto, são fortes, já que há sinais positivos sobre a materialização, finalmente, dos megaprojetos aguardados há bastante tempo”, lê-se numa nota enviada aos investidores.

No documento, a que a Lusa teve acesso, os analistas da Fitch escrevem que o país está “preso no incumprimento financeiro [`default`, no original em inglês]” e notam que “houve poucos progressos relativamente à resolução do `default` soberano”, que aliás esperam que seja uma situação duradoura.

“O país está a falhar os pagamentos da única emissão de dívida em moeda estrangeira, bem como os pagamentos dos empréstimos contraídos por empresas públicas e avalizados pelo Governo”, acrescenta-se na nota.

O Fundo Monetário Internacional “disse que uma auditoria às empresas públicas não cumpriu as condições exigidas devido a falhas de informação”, pelo que, conclui a Fitch, “não é claro como as conversações sobre a dívida podem ser afetadas por eventuais disputas entre os credores e pelas consequências orçamentais dos projetos do gás”.

A nota da Fitch surge na mesma altura em que um relatório das Nações Unidas sobre a Situação Mundial e Perspetivas Económicas (WESP) considera que o incumprimento financeiro e tensões políticas limitam o investimento e colocam o país a crescer abaixo de 4% até 2020.

“O investimento em Moçambique está a ser limitado pelo incumprimento financeiro, em janeiro, e pelo alto nível de dívida”, lê-se no relatório divulgado esta semana em Nova Iorque.

“O crescimento vai também ser travado pelas tensões políticas”, acrescenta o documento, que antevê uma expansão económica de 4,1% este ano e uma diminuição para 3,8% e 3,9% em 2018 e 2019, respetivamente.

O relatório elaborado pelo departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e as cinco comissões regionais prevê uma redução da inflação, de quase 20% no ano passado para 7% este ano, 6% em 2018 e 6,5% no ano seguinte.

Também esta semana foi aprovado pelo Governo um decreto que define os procedimentos de emissão e gestão da dívida pública, incluindo a prestação de garantias pelo Estado.

O decreto estabelece “o que é necessário para o Governo contrair uma dívida e o que é necessário para emitir garantias”, afirmou o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane.

“É um instrumento muito importante que vai permitir que todos os órgãos do Estado e até a sociedade percebam quanto e como emitir garantias”, destacou o ministro.

O Governo moçambicano tem sido pressionado pela sociedade civil do país e por instituições financeiras internacionais para ter uma gestão mais transparente da dívida pública, depois da descoberta, a partir de 2015, de avales que o anterior executivo prestou secretamente a favor de três empresas públicas ligadas à pesca e segurança marítima, no valor de 2 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros), e que aceleraram o nível e ritmo de endividamento do país.

Fonte: Lusa

Carvão: O ouro negro para as exportações moçambicanas

Lucros podem vir a ser a maior fonte de receitas de exportação do país a médio prazo. Produção e escoamento de carvão duplicou em dez meses, com a utlização do porto de Nacala.

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“Apesar da perspetiva global não dar conforto a um país que aposta no setor, antecipamos que o aumento da produção fará com que o carvão seja a maior fonte de receitas de exportação no médio prazo (…) em Moçambique”. A previsão é de abril deste ano e foi avançada pela Economist Intelligence Unit (EIU). Entende aquela agência de análise, pertencente ao mesmo grupo da conceituada revista britânica “The Economist”, que a diminuição dos riscos securitários no país, aliada à subida dos preços do carvão no mercado internacional e ao investimento crescente de empresas indianas no território moçambicano – a Índia figura na lista dos países que mais têm, produzem e consomem carvão [ver infografia ao lado] – trouxe um “renovado fôlego” à indústria que tem tudo para ser um “mercado-chave” para Moçambique.

“O aumento da produção na mina de Moatize, de 8,7 milhões de toneladas em 2016 para 13 milhões em 2017, e 18 milhões em 2018, deve provavelmente ser suficiente para o carvão ultrapassar o alumínio como a maior fonte de receitas de exportação em Moçambique este ano”, aposta a EIU.

Previsões à parte, o governo moçambicano tem depositado cada vez mais esperanças no setor, para alavancar uma economia estagnada e demasiado dependente da África do Sul. Para tal, tem contado com a preciosa ajuda da multinacional brasileira Vale, que lidera a produção do carvão mineral num país com reservas estimadas superiores a 20 mil milhões de toneladas – a grande maioria oriundas de Moatize, na província de Tete, bem no interior da massa de território moçambicano acotovelada entre o Zimbabué, a Zâmbia e o Malawi.

Aliada à japonesa Mitsui, a Vale Moçambique conseguiu produzir e escoar 10 milhões de toneladas de carvão entre janeiro e outubro deste ano, duplicando dessa forma os valores obtidos nos primeiros dez meses de 2016. A empresa mineira aponta para um total de 13 milhões até ao final de 2017 e estabelece como meta uma produção anual de 22 milhões.

Grande parte do sucesso da multinacional brasileira tem que ver com a decisão de abandonar a linha férrea de Sena, que liga Moatize ao porto da Beira, e de passar a utilizar a linha de Nacala, que atravessa o Malawi, a caminho de um porto de águas profundas com capacidade para receber navios até 180 mil toneladas – o da Beira está limitado a 40 mil. A Vale também conta lucrar com a implementação do projeto, iniciado em 2012, de remodelação da atual linha férrea, construção de um novo corredor paralelo e edificação de um terminal de carvão no porto de Nacala-a-Velha.

Fonte: sol.sapo.pt

FMI prevê abrandamento da economia de Moçambique e recomenda reequilíbrio de políticas

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um abrandamento da economia de Moçambique este ano com uma taxa de crescimento de 3% do PIB, face a 3,8% em 2016, anunciou hoje a instituição em comunicado.

Segundo o corpo técnico que visitou Moçambique até quarta-feira, espera-se que “o crescimento venha a declinar para cerca de 3% em 2017, comparativamente a 3,8% em 2016”.

Na última previsão, apresentada a 16 de novembro, o FMI referia que o crescimento da economia moçambicana deveria recuperar para uma taxa de 4,7% em 2017 e 5,3% em 2018 – em linha com a previsão do Governo para o próximo ano.

O comunicado hoje divulgado traça outro cenário, referindo que “o crescimento de Moçambique continua a abrandar e as perspetivas continuam desafiadoras, exigindo um reequilíbrio urgente da combinação de políticas para assegurar uma estabilidade macroeconómica duradoura e reforçar as perspetivas de crescimento inclusivo”.

A avaliação foi feita por uma equipa do corpo técnico do FMI, chefiada por Michel Lazare, que visitou Moçambique entre 30 de novembro e até quarta-feira, para concluir a Consulta ao Abrigo do Artigo IV do organismo.

O FMI considera que “a política monetária restritiva foi bem sucedida na redução da inflação anual para cerca de 7% em novembro de 2017 e a taxa de câmbio estabilizou nos últimos seis meses”.

A posição externa melhorou, o que permitiu ao Banco de Moçambique “acumular reservas substanciais em divisas”.

Ainda assim, o crescimento do PIB deve abrandar, em vez de acelerar.

“As perspetivas para 2018 e para o médio prazo continuam desafiadoras, especialmente considerando o enfraquecimento continuado da cobrança de receita e a rigidez das pressões da despesa corrente”, aponta o fundo.

O organismo recomenda que se acabe com isenções de IVA e de outros impostos, a par de uma redução da despesa corrente, mas que proteja as despesas do Estado de âmbito social e em infraestruturas.

Ao mesmo tempo, é preciso baixar as taxas de juro para facilitar o acesso das pequenas e médias empresas ao crédito.

Embora a política fiscal continue a colocar pressões sobre as taxas de juro do mercado, a missão do FMI “encoraja o banco central a reconsiderar o ritmo dos cortes na taxa de referência, considerando o grande e inesperado declínio da inflação”.

A taxa de referência (prime rate) introduzida em junho e definida mensalmente estreou-se com um valor de 27,75% e desde então registou duas descidas vigorando uma taxa de 27,5% em dezembro.

“Espera-se que as pressões substanciais da despesa resultantes do serviço da dívida e dos salários, bem como a cobrança de receitas menor do que o previsto, resultem no défice fiscal global superior a 8% do PIB”, calcula o FMI.

O corpo técnico refere ainda no comunicado de hoje que, a médio prazo, será necessário “um esforço fiscal sustentado para baixar os défices e reduzir a acumulação adicional de dívida pública interna e externa, incluindo os atrasados a credores e fornecedores”.

A missão incitou as autoridades a avaliarem a viabilidade de projetos de investimento público, as limitações da capacidade de absorção e a sustentabilidade da dívida.

Fonte: Lusa

2017: Megaprojetos de gás natural em Moçambique entraram em contagem decrescente

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O ano de 2017 fica na história de Moçambique como aquele em que foi tomada a primeira decisão final de investimento num megaprojeto de gás natural com previsão de receitas milionárias, capazes de acabar com a pobreza.

A decisão do consórcio liderado pela petrolífera Eni, de que a portuguesa Galp também faz parte, foi tomada em junho e deu início à contagem decrescente de cinco anos para início da exploração de gás na bacia do Rovuma, em mar alto, no norte do país.

A banca internacional já garantiu financiamento e a Eni prevê que o projeto Coral dê receitas para o Estado moçambicano de 16 mil milhões de dólares (três vezes o Orçamento do Estado para 2018) ao longo de 25 anos.

Este é apenas um de vários projetos no setor que sinalizam confiança do grande capital em Moçambique que vão fazer crescer as receitas.

A Frelimo, partido no poder desde a independência, reuniu-se no 11.º congresso em setembro e consolidou a liderança de Filipe Nyusi, Presidente da República.

Nyusi foi ao refúgio de Afonso Dhlakama, na serra da Gorongosa, e cimentou o diálogo pela paz com um aperto de mão cuja foto correu mundo, ganhando força a ideia de que Governo e Renamo podem estar perto de assinar um novo acordo que sossegue o país.

O braço armado do principal partido da oposição calou as armas no final de 2016, com Dhlakama a anunciar uma trégua sem prazo e a saudar as conversas “com o irmão Nyusi”.

Esta aproximação pode não agradar a quem vive da perpetuação de um conflito armado em Moçambique, alertou Chapane Mutiua, investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em declarações à Lusa, em novembro.

Mutiua aconselha atenção para a possibilidade de tais interesses estarem por detrás de uma onda de tumultos sem precedentes que ocorreu no mês de outubro em vários pontos do país, com ataques à polícia e mortes – entre agentes e habitantes.

O caso mais célebre foi o ataque de um grupo armado a posições da polícia em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, vila que ficou sitiada durantes dois dias e fez disparar os alarmes para a facilidade de instrumentalização através da religião – no caso, por alegados extremistas islâmicos de origem local.

O historiador Yussuf Adam vai mais longe e refere que, em Moçambique, há “uma situação de crise social” em que “as populações rurais” de diferentes pontos “estão a responder, a atacar um Estado que elas pensam que não lhes está a servir”.

Quem percorre as ruas ouve em surdina as queixas de uma população que, apesar dos sinais de recuperação económica, ainda sofre com a grave crise de Moçambique.

Passado ano e meio das revelações, a justiça ainda não apurou responsabilidades no escândalo das dívidas ocultas do Estado no valor de dois mil milhões de dólares e que deixaram a macroeconomia do país de rastos.

O ano de 2017 ficou marcado pela auditoria ao caso que aponta indícios criminais no envolvimento de diversas figuras públicas e por pedidos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que haja responsabilização.

Nesse dossiê, Moçambique termina 2017 tal como começou: sem retorno das ajudas diretas de doadores ao Orçamento do Estado.

Uma das recordações mais negras do ano vai ser o assassinato de Mahamudo Amurane, presidente do município de Nampula. Lembrado dentro do país e por parceiros como um promotor do combate à corrupção, foi abatido à queima-roupa à porta de casa a 04 de outubro, data em que se celebra o Dia da Paz em Moçambique.

O crime vai levar a eleições antecipadas em Nampula a 24 de janeiro de 2018.

Algumas personalidades e entidades ouvidas pela Lusa deixaram um apelo às autoridades para que investiguem o caso para não ser mais um homicídio de uma figura pública que fica por resolver.

Fonte: Lusa

Nyusi anuncia progressos nas negociações de paz com a Renamo

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A Presidência da República de Moçambique anunciou hoje, em comunicado, que há progressos nas negociações de paz entre o Governo e a Renamo, principal partido da oposição, com vista ao estabelecimento de um acordo.

A posição foi divulgada depois de uma conversa entre o chefe de Estado, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

“Durante a interação, o chefe de Estado moçambicano e o presidente da Renamo debruçaram-se sobre os progressos no processo de paz e constataram, com agrado, que se registam avanços rumo ao consenso mútuo e finalização do conteúdo dos documentos a acordar”, é referido num comunicado divulgado após o evento.

Filipe Nyusi deslocou-se hoje ao acampamento de Chitengo, no Parque Nacional da Gorongosa, onde se encontra refugiado, para se encontrar com o presidente da Renamo, mas os dois não estiveram frente a frente.

“Por motivos organizacionais, o encontro teve de realizar-se de forma indireta, tendo o Presidente da República indigitado o Comandante Geral da Polícia como seu enviado” até ao local onde estava Dhlakama, explica-se no comunicado.

Filipe Nyusi dialogou com o líder da oposição “por meio de teleconferência que decorreu num ambiente de cordialidade”, acrescenta.

O documento não esclarece quais os motivos que fizeram com que a conversa decorresse à distância.

“As propostas sobre o processo de descentralização, desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) deverão ser apresentadas à Assembleia da República para debate”, refere a Presidência da República.

Ainda segundo o comunicado, “os dois dirigentes reafirmaram o seu compromisso, inequívoco, para com a paz em Moçambique e auguraram um futuro radiante para todos os moçambicanos”.

Depois de uma escalada no conflito militar no centro do país em 2015 e 2016, um cessar-fogo foi decretado por Dhlakama em dezembro e as relações entre o líder da Renamo e o Presidente de Moçambique melhoraram.

As negociações para um novo acordo de paz ficaram marcadas por um aperto de mãos entre ambos a 06 de agosto, quando Filipe Nyusi se deslocou à Serra da Gorongosa para um encontro de cerca de duas horas com Afonso Dhlakama.

Fonte: Lusa

Nyusi nomeia três novos ministros após exonerações de terça-feira

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José Pacheco, novo ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, nomeou esta quarta-feira três novos ministros, na sequência das exonerações de terça-feira, anunciou em comunicado.

José Pacheco, que tinha sido afastado do cargo de ministro da Agricultura, viu-lhe atribuída a pasta dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, a terceira depois de ter sido nomeado Ministro do Interior em 2005 e após ter sido designado em 2010 para a Agricultura.

Ernesto Max Tonela, que na terça-feira foi exonerado das funções de ministro do Comércio e Indústria, foi escolhido para liderar os Recursos Minerais e Energia.

Como novo nome no Governo surge Higino Francisco Marrule, nomeado ministro da Agricultura e Segurança Alimentar.

O analista Fernando Lima, comentador político e presidente do grupo de comunicação social Mediacoop, disse à Lusa que a escolha de Marrule “é claramente uma boa surpresa, porque é um quadro da agricultura com muita experiência prática e teórica e uma das suas qualidades é pensar fora da caixa”, ou seja, ir além das ideias convencionais.

A nomeação de Max Tonela para os Recursos Minerais e Energia “já se esperava anteriormente”, tendo em conta que é “um quadro muito próximo do Presidente Nyusi e que esta é uma área muito sensível”, referiu.

Por outro lado, Tonela “está à vontade” com os dossiês de Energia, tendo em conta que já liderou a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a empresa Eletricidade de Moçambique.

Fernando Lima considera ainda que a nomeação de José Pacheco para o MNEC terá sido decidida por Nyusi tendo em conta “respeito por lealdades políticas recentes”.

“É uma aposta política temerária do PR e vamos ver se José Pacheco tem a flexibilidade que se espera de um diplomata”, qualidade que segundo Fernando Lima “não mostrou ter noutras pastas” que já teve em seu poder.

Das três áreas em que houve exonerações na terça-feira, fica por nomear um ministro do Comércio e Indústria.

Fonte: Lusa

Empresário norte-americano recupera EMATUM

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– Erik Prince da Blackwater Security

O fundador da empresa Blackwater Security e líder da Frontier Services Group vai investir em pelo menos uma das três empresas públicas moçambicanas que contraíram empréstimos escondidos no valor de mais de 1,4 mil milhões de dólares.

“Estamos aqui para trabalhar nos detalhes finais para uma ‘joint venture’ com o Governo de Moçambique para desenvolver e melhorar a sua pesca de forma sustentável, profissional e ética”, disse Erik Prince, numa conferência de imprensa conjunta com o diretor da Proindicus, Mozambique Asset Management (MAM) e Ematum, António do Rosário.

“Estamos a olhar para muitas oportunidades de investimento em Moçambique”, acrescentou o fundador da empresa que se notabilizou por fornecer serviços de segurança aos militares norte-americanos no Iraque, na década passada.

A Ematum, a Proindicus e a MAM contraíram empréstimos no valor total de cerca de 2 mil milhões de dólares do Credit Suisse e do russo VTB para a construção de uma frota naval e de sistemas de segurança marítima em 2013 e 2014, não tendo informado o Fundo Monetário Internacional (FMI) destas operações, o que resultou no corte de financiamento não só do FMI, mas também dos doadores internacionais, e fez o país mergulhar em incumprimento financeiro em janeiro do ano passado.

Questionado sobre se iria investir nas três companhias, Prince respondeu que a “primeira fase” estaria focada na indústria pesqueira, e que só mais tarde há a possibilidade de entrar na proteção dos ativos do gás e petróleo, que é o foco principal da atividade da Proindicus.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, Prince disse que pretende finalizar o acordo nos próximos 60 dias e ter os 24 barcos de pesca que estão parados no porto de Maputo em atividade em março.

Sobre o facto de estar a investir em empresas envolvidas no escândalo da dívida escondida, Prince respondeu: “Eu não estive envolvido em nenhuma decisão há seis meses nem há um ano em Moçambique”.

Fonte: Lusa

Presidente da ExxonMobil quer valorizar recursos energéticos de Moçambique

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Darren W. Woods

O presidente da petrolífera norte-americana ExxonMobil considerou hoje que a empresa vai valorizar os recursos energéticos de Moçambique, no dia em que foi anunciada a sua entrada para a Área 4 de exploração de gás natural.

“A ExxonMobil apresenta liderança e experiência em LNG [gás natural líquido, sigla inglesa] para apoiar o desenvolvimento dos recursos de alta qualidade de gás natural de Moçambique,” referiu Darren W. Woods, presidente do Conselho de Administração, citado num comunicado da empresa.

Woods acredita que a “perícia em projetos e marketing” da firma, a par da “capacidade financeira”, vão ajudar “a aumentar o valor dos recursos de energia de Moçambique”.

“Trabalharemos em estreita colaboração com os nossos parceiros para desenvolver este recurso de classe mundial”, concluiu.

A decisão final de investimento foi anunciada este ano e o gás natural da Área 4, no alto mar do norte do país, deverá começar a ser exportado dentro de cinco anos.

A Eni concluiu hoje a venda de 25% de participação indireta à norte-americana ExxonMobil, num negócio de 2,8 mil milhões de dólares (2,3 mil milhões de euros), acordado em março.

A norte-americana entra na Eni East Africa, que detém 70% da Área 4.

A Eni East África vai mudar de nome para Mozambique Rovuma Venture e passar a ser participada em partes iguais de 35,7% pela Eni e pela ExxonMobil e em 28,6% pela Corporação Nacional de Petróleo da China.

Além da Mozambique Rovuma Venture, a Área 4 de Moçambique conta com participações da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique, da coreana Kogas e da portuguesa Galp Energia, cada qual com uma fatia de 10%.

É a parcela de 35,7% da ExxonMobil na Mozambique Rovuma Ventura que corresponde indiretamente a 25% do total da Área 4.

O Estado moçambicano prevê arrecadar 354,4 milhões de dólares norte-americanos com a tributação de mais-valias da transação entre as duas petrolíferas.

A decisão final de investimento do consórcio da Área 4 foi anunciada a 01 de junho, em Maputo, e está em construção a plataforma flutuante que vai extrair gás natural em alto mar, na bacia do Rovuma do oceano Índico, norte do país.

A petrolífera BP vai comprar ao consórcio toda a produção de gás natural liquefeito por 20 anos.

Nos comunicados hoje divulgados pela Eni e ExxonMobil, explica-se que a Eni vai “continuar a liderar o projeto Coral Sul da plataforma flutuante de gás natural”, enquanto a ExxonMobil “vai comandar a construção e operação de todas as futuras unidades de liquefação de gás natural e instalações relacionadas”.

As descobertas em águas profundas da Área 4 englobam “cerca de 85 biliões de pés cúbicos (2,4 biliões de metros cúbicos) de gás natural, que se prevê venha a ser a fonte de combustível com maior crescimento no mundo, estando Moçambique bem posicionado para a fornecer durante os próximos 40 anos ou mais”, referiram as duas empresas.

Fonte: Lusa

Bancos portugueses reforçam participação no moçambicano BCI

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Sede do BCI em Maputo

O banco estatal português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BPI – Banco Português de Investimento reforçaram a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), de Moçambique, anunciaram aquelas instituições financeiras em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Fruto de um acordo com a empresa Insitec Capital, a CGD aumentou a sua posição de 51% para 61,5%, enquanto o BPI passou de 30% para 35,67%, referem os comunicados dos dois bancos enviados à CMVM.

Com estas alterações, no seu conjunto a CGD e o BPI elevaram de 81% para cerca de 92% a sua posição no banco moçambicano. O restante capital permanece repartido entre a Insitec e acionistas individuais, na sua maioria colaboradores do próprio BCI.

O BCI foi fundado em 1996, sendo que logo no ano seguinte a CGD tomou 60% do capital. Em 2003 entraria o BPI na estrutura acionista. O grupo Insitec entrou no BCI em 2007.