mCel exonera 11 gestores para poupar custos

A empresa pública de telefonia móvel moçambicana mCel exonerou 11 gestores, rescindindo contratos de trabalho com alguns, incluindo das áreas técnica e financeira, visando a contenção de custos, noticia hoje a Agência de Informação de Moçambique (AIM).

Uma fonte da empresa confirmou à Lusa as mexidas nos postos de direção da mCel, adiantando que, para os lugares deixados vagos, foram apontados quadros mais novos da empresa, mas que terão regalias abaixo das que eram oferecidas aos exonerados.

As exonerações atingiram ainda gestores das áreas comercial, logística, aquisições, contabilidade, transporte e património, bem como planeamento e engenharia de rede.

As mexidas inserem-se no quadro do processo de fusão entre a mCel e a operadora pública de telefonia fixa Telecomunicações de Moçambique (TDM), decidida no ano passado pelo Conselho de Ministros de Moçambique, como forma de evitar o colapso das duas empresas e torná-las competitivas.

Fonte: Lusa

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Jornalista angolana lança livro em Maputo

A jornalista Luísa dos Santos lança hoje, em Maputo, o seu primeiro livro intitulado “Juventude de hoje…porque age assim?!”. A apresentação da obra vai estar a cargo da poetiza moçambicana Énia Lipanga, do escritor Hosten Yassine e da empreendedora e activista Maria Natália João.

Nesta obra, a autora revela pensamentos e preocupações pessoais que chamam atenção para a degradação da pessoa humana, alertando muito especialmente aos jovens e para os males contemporâneos. No mesmo livro, Luísa dos Santos expõe experiências reais e pensamentos sobre como melhorar o comportamento dos jovens com vista a alcançar o sucesso.

Trata-se de um projecto de vida que visa apoiar as vítimas de alcoolismo, narcóticos e prostituição de modo a reintegrá-las na sociedade. Para tal, Luísa dos Santos tenciona angariar fundos com a venda deste livro de reflexão, que tem por base a ponderação e a meditação profunda sobre a actualidade.

O referido livro já foi lançado em Portugal, Brasil e Angola e agora vai ser apresentado em Moçambique, juntamente com o projecto social intitulado “A Juventude e o Consumo Excessivo de Bebidas Alcoólicas Porquê?”

O livro conta com o prefácio do escritor português Porfírio Pereira da Silva e posfácio do escritor moçambicano HostenYassine.

Citada pela Revista Ngoma, a autora do livro “Juventude de hoje… porque age assim?!”, considera que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é um dos grandes flagelos actuais da sociedade angolana, em particular da juventude.

A História de Gungunhana e o livro que fica aquém

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É certo que causa tão prosaica não condiz com o lugar: da exótica e misteriosa África Austral, esperávamos enigmas quase mágicos, campanhas aventurosas, lutas corpo-a-corpo ou prodígios cinéticos de antologia; no entanto, a grande proeza que convulsiona o século XIX Africano é a introdução do milho. Não será, obviamente, o único responsável pelo surgimento de impérios e guerras de toda a espécie; nem se pode subestimar o papel de alguns Homens prodigiosos ou dos sempre imprevisíveis desmandos da fortuna. O acontecimento, porém, tem peso suficiente para ganhar a precedência no protocolo histórico.

O bom sucesso do milho em terras Africanas fez crescer, mais forte e vigorosa, a população nativa; a facilidade de o plantar em terras úberes libertou muitos homens da ocupação agrícola diária; e o aparecimento de um chefe valeroso, capaz de tirar proveito da recente prosperidade (salvo seja, claro) criou em África um Império nunca visto.

Shaka, um guerreiro de contornos mitológicos, rejeitado pela tribo que levaria à glória – os Zulus, tribo até aí com pouca expressão — construiu em pouco tempo um império colossal. A transformação de um grupelho de pastores numa letal máquina guerreira só tem paralelo com a evolução do império romano; a fulgurante conquista e subjugação de povos aparentemente mais poderosos poderia rivalizar com a contemporânea empreitada napoleónica. Ali, embrenhado no desconhecido interior Africano, formava-se num ápice aquilo que viria a ser o centro de todas as preocupações da África Austral. Foi Shaka que, pela primeira vez, conseguiu que um povo daquelas zonas tivesse um exército permanente; foi Shaka que mudou a forma de guerrear dos Angunes, que os pôs a perseguir e a aniquilar os inimigos derrotados, ao invés do tradicional ataque e fuga próprio dos seus antepassados; foi Shaka o responsável por grandes migrações dos povos derrotados e foi a morte de Shaka, às mãos dos seus irmãos, que fixou a geografia humana oitocentista dos povos africanos.

Mais ninguém conseguiu domínio tão extenso como o de Shaka. É com o seu declínio, então, que começa o Mfecane, a fragmentação dos povos que Shaka tinha unido, e que deu origem aos conhecidos Matabeles, ao Lesoto ou ao Império de Gaza.

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Gungunhana e as suas mulheres, em Lisboa, em 1896

É de notar que a fragmentação do Império não implicou exactamente uma perda de influência do domínio Zulu. Os Angunes fixaram os seus países e Impérios, mas quase sempre com um pergaminho genealógico e um poderio que fazia deles uma espécie de aristocracia dominadora dos outros povos. O caso de Gaza é paradigmático: Manicusse, um general de Shaka, instalou o seu império numa zona em que já se tinham refugiado muitos dos reis Tongas, fugidos de Shaka, e exerceu sobre eles um domínio que, apesar de lhes permitir certa independência, obrigava ao pagamento de uma série de tributos e impostos.

Como é claro, nem sempre as relações entre os Reis Tongas e o Imperador de Gaza eram pacíficas; e se, com Manicusse, os problemas foram sendo recalcados pela brenha Africana – Portugal, com as fronteiras de Moçambique ainda por definir, chegou a mandar uma embaixada ao imperador de Gaza –, com o seu neto as coisas já foram um pouco diferentes.

Manicusse era avô de Gungunhana. Gungunhana, porém, herdou o império de uma guerra fratricida. Após a morte de Manicusse, Mawewe, o seu filho e sucessor, empenhou-se numa guerra contra os irmãos. Conseguiu matar todos menos um, Muzila, que após um exílio no Transval, reuniu um exército que depôs Mawewe. Este episódio foi particularmente importante porque Muzila, além do apoio da República Bóer do Orange, pediu a ajuda Portuguesa para combater Mawewe. Além de Portugal ter todo o interesse nesta aliança – Mawewe pretendia que também Lourenço Marques lhe pagasse um tributo – tinha uma contrapartida também benéfica: Muzila considerar-se-ia, como veio a acontecer após a vitória, súbdito de Portugal.

Ora, Muzila era pai de Gungunhana, e Gungunhana, decerto alarmado pelo exemplo familiar, não desejava ter concorrência possível para o seu trono. Daí que tenha apertado o controlo sobre os Tsongas, vivesse preocupado com os descendentes de Manicusse — que os havia nos reinos Tongas — que pudessem reclamar o seu trono, e não visse com tão bons olhos a vassalagem que o pai prestara ao rei de Portugal.

Acresce que, com as fronteiras ainda pouco definidas, Gaza estava suficientemente próxima de território inglês para que pudesse ser reclamada pela Rainha Vitória. Gungunhana, ciente disto mesmo, também se ia aproximando, ora de um lado ora de outro, em busca de vantagens.

Tudo isto se passava suficientemente perto e suficientemente longe das províncias europeias para que as guerras entre tribos fossem sendo toleradas e o controlo também um pouco relaxado. Portugal estava ciente, como Inglaterra, do jogo duplo do Leão de Gaza, mas podia tolerá-lo. Inhambane e Lourenço Marques, na costa, mantinham boas relações com os reinos tongas mais próximos; os reis pagavam o imposto de palhota à coroa portuguesa e a paz ia-se mantendo; do lado inglês, também não parecia vir problema; a coroa britânica já tinha problemas com os Bóeres, pelo que seria um absurdo estratégico, em nome de terras pouco exploradas, arranjar um inimigo em Gaza.

Acontece, porém, que pelo fim do século XIX, a presença Europeia em África era muito discutida. A quantidade de interesses em conflito, provada tanto pela conferência de Berlim como pelo Ultimato Inglês, trouxe um enorme problema a Portugal. A cedência no mapa cor-de-rosa dera a imagem de um Portugal fraco, provavelmente incapaz, até, de manter as suas colónias. Estas passaram, assim, a tornar-se um território apetecível sobretudo para os vizinhos mais poderosos. O posto de Lourenço Marques, alimentado por um importantíssimo caminho-de-ferro, chegou mesmo a ser fortemente cobiçado pelo ambicioso estratega inglês Cecil Rhodes, da British South Africa Company, para escoar as matérias do Transvaal.

Assim, ao mesmo tempo que, nominalmente, as relações entre Gaza e Portugal eram cada vez melhores – Portugal, como já referimos, chegou mesmo a ter embaixadas em Gaza – Gungunhana era aliciado para procurar libertar-se do jugo Português.

Rhodes chegou mesmo a dar mil espingardas a Gungunhana em troca da exploração mineral em Gaza; e embora este acordo tenha sido dissolvido por causa dos protestos portugueses junto à coroa inglesa (entretanto já se tinham definido as fronteiras, e Gaza era indiscutivelmente território português), é ilustrativo, quer do interesse estrangeiro no território, quer da disponibilidade de Gungunhana para apoiar diferentes potências europeias.

As revoltas em Lourenço Marques não podem, pois, surgir em pior altura para Portugal. A teia de tribos existentes na província de Lourenço Marques era bastante complicada. Basicamente, havia alguns régulos considerados terras da coroa – que pagavam a Portugal imposto de palhota e reconheciam a soberania portuguesa – e outros que reconheciam apenas a de Gungunhana. O que este caso tem de complicado – teoricamente Gungunhana também era vassalo do Rei de Portugal, embora os seus não o fossem de D. Carlos – ilustra o problema também em pontos mais pequenos. Mesmo entre os régulos vassalos de Gungunhana, havia alguns que eram seus rivais. Assim, por exemplo, entre os Magaias havia uma disputa pelo poder, com Mahazul e Maveja em contenda. Mahazul era um fiel de Gungunhana, pelo que, logicamente, na sua luta pelo regulado Magaia, Maveja iria pedir o apoio português, que assim ganhava mais um regulado fiel.

Foi isto mesmo que aconteceu e que provocou a ira de Mahazul. Mahazul aliou-se, assim, a Matibejana, régulo da tribo Zixaxa, e juntos comandaram uma revolta na província de Lourenço Marques. Num dia, mataram o pescador Carlos Lopes, filho do famoso Patrão Joaquim Lopes, comandante da falua de salvamento do Tejo; noutro, atacaram e exterminaram, junto ao caminho-de-ferro, uma povoação Matola; estes incidentes tiveram grande eco na imprensa Sul-Africana e, como é óbvio, fragilizavam muito a posição estratégica de Portugal: num tempo em que se discutia a legitimidade da posse de territórios africanos, Portugal demonstrava não dominar os seus; numa altura em que o caminho-de-ferro era cobiçado pelos ingleses, Portugal poderia precisar de ajuda externa para o proteger, o que decerto traria as piores contrapartidas; numa altura em que os Bóeres e os Matabeles já mostravam a sua destreza marcial contra exércitos muito mais poderosos, Portugal podia ver-se obrigado a combater contra um colossal Império, em campos quase desconhecidos.

Se além disto notarmos que, nas primeiras expedições punitivas, o Major Caldas Xavier não conseguira sequer avistar os seus adversários, conseguimos perceber como se adivinhava difícil a missão de António Enes, nomeado pela coroa para restabelecer a paz em Moçambique.

As campanhas de António Enes, descritas por ele no seu livro A Guerra de África de 1895, são do mais interessante e mais vivo que a nossa história militar já produziu. Desde a plêiade militar que reuniu, com Aires de Ornelas, Caldas Xavier ou Paiva Couceiro, à primeira vitória em Marraquene, numa luta em campo aberto que trouxe os Matolas e os Moambas definitivamente para o lado Português; dos treinos de Caçadores 3, formados por Nativos, aos planos de ataque pelos rios Inharrime e Limpopo, dos jogos de enganos em que Paiva Couceiro e Mouzinho conseguiram vitórias inesperadas, à decisão de, pacificados os Magaias e os Zixaxas, depôr Gungunhana, tudo é interessante, como se pode ver no livro evocativo de Caldas Xavier ou nas cartas de Aires de Ornelas.

É depois de Marraquene, aliás, que as campanhas passam a dizer directamente respeito a Gungunhana. Matibejana e Mahazul, depois da derrota, pedem protecção ao Leão de Gaza, que os aceita como vassalos. Portugal exige a Gungunhana a entrega dos dois chefes e, depois de umas negociações com tanto de duro como de louco, o conflito estala.

Enes decide então avançar contra a capital de Gaza através de três colunas, cada uma delas subindo um rio (Inharrime, Limpopo e Incomáti), para se encontrarem na capital. A coluna do Incomáti, chefiada por Freire de Andrade, encontra os exércitos de Matibejana e Mahazul em Magul e, numa vitória moralmente brilhante (275 homens batem cerca de seis mil), precipita a derrota de Gungunhana. Muitos dos seus vassalos, depois desta derrota, não se juntam ao Leão de Gaza, o que enfraquece seriamente o seu exército. Gungunhana decide fugir da sua capital – tomada então pelos portugueses com toda a facilidade – e refugia-se em Chaimite. Já numa tentativa desesperada de salvar o seu poder, toma uma decisão que ainda enfraquece mais a sua posição: decide entregar Matibejana, o que aliena por completo a confiança dos seus aliados.

Só esta situação permite perceber a insólita captura do Leão de Gaza. Ao que parece, já tão enfraquecido, Gungunhana decide render-se. Mouzinho de Albuquerque, porém, decide persegui-lo e capturá-lo, levando para isso uma irrisória quantidade de homens, muitos dos quais ainda o abandonaram à chegada a Chaimite. Ainda assim, Mouzinho decide entrar pela paliçada de Chaimite, sem que nenhum dos guardas de Gungunhana lhe ofereça resistência. Trezentos Homens, munidos de espingardas, à vista de trinta ou quarenta, mas imaginando muitos mais, fogem. É assim, abandonado o Imperador pela sua guarda, que acaba o outrora temível Império de Gaza.

Guerreiros rudes, guerreiros cruéis

É neste fim que começa o último livro de Mia Couto. Percebe-se a ideia: de facto, do império Zulu à temerosa empresa de Mouzinho, do melancólico Álvaro Andrea, comandante da corveta do Limpopo que denunciou Mouzinho, uma espécie de guerreiro arrependido, à complicada relação entre Rongas e Angunes, tudo é romanesco. Compreende-se, então, que a trilogia As Areias do Imperador gire em torno do Império de Gungunhana. Mia, porém, é aqui tanto nome do autor como a voz do leão de Gaza. Não apenas por se tratar de um Homem desolado, entregue à bebida, derrotado e sem alma, feito um vulgar trapo na sua travessia até Portugal. Mia, apenas, porque é este o apanágio das personagens tíbias deste romance de Mia Couto.

As personagens são logo reduzidas por um preconceito óbvio: Mia Couto escreve um romance centrado na guerra mas não vê interesse nela. Daí que todos os guerreiros que as fontes relatam como bravos ou timoratos sejam rudes, cruéis, agressivos ou absurdamente intolerantes.

É nisto, aliás, que consiste a afamada neutralidade que Mia Couto empenhou no romance: a neutralidade não se traduz numa complexidade psicológica, ou numa verdadeira consideração por todas as partes, mas sim na equiparação entre Gungunhana e Mouzinho. Ambos são prepotentes, abusadores e pouco mais do que vilões mal esboçados. Em Gungunhana ainda há uns laivos curiosos na esperança que mantém em ser recebido por D. Carlos, mas de resto o livro não ultrapassa a lengalenga costumeira. Abaixo dos chefes guerreiros, sobressaem os heróis, oprimidos mas independentes, sábios de tradição africana, com notável argúcia para prever acontecimentos no meio de feitiçaria e adivinhação tribal. Como nos maus romances históricos, Mia Couto dá a medida da inteligência das personagens pela capacidade que têm em prever acontecimentos históricos reais. Além desta evidente batota literária (o autor já sabe que acontecimentos tiveram lugar), não há característica nenhuma nas personagens que ultrapasse a caracterização escolar. Os gestos misteriosos das personagens são depois explicados em correspondência, para dispensar a subtileza do leitor; as ideias, além de vulgares, expressam-se no maniqueísmo mais gritante, em explosões de prepotência ou racismo completamente gratuitas, com frases de manual.

Mia Couto, além disso, optou neste romance por reformar as suas célebres invenções de palavras através da junção de ideias, nuns trocadilhos à Guimarães-Rosa de liceu. A tentação, porém, assalta-o várias vezes e Mia Couto resolve-a através de um mecanismo risível de grosseiro. As personagens frisam as palavras inventadas, através de alocuções inexplicáveis. “Pensei na palavra…”, “só lhe vinha à cabeça a ideia de…”, como quem tenta inserir de forma atabalhoada um tema de conversa.

Em certos aspectos, este livro lembra a Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa. A campanha de canudos, tratada através de histórias romanescas, em jogo constante com a fonte histórica, um Euclides da Cunha presente mesmo no romance; Mia coleia um amor inter-racial num fenómeno bélico imprevisível e evidentemente romanesco, joga a paródia literária com um António Enes ridículo de ufano e com um Álvaro Andrea pretensamente complexo, mas reduz aquele que podia ser um grande épico moçambicano a uma narrativa monótona de tão linear, que não aproveita nem a riqueza geográfica nem o insólito da busca por Gungunhana, nem a complexidade de um Império assente em fidelidades fragilíssimas, nem as histórias que urde em volta da guerra. Para pretexto narrativo, o amor entre Imani e Germano é demasiado intrusivo; para drama principal, falta-lhe nervo que aguente as tragédias em catadupa. Imani perde o marido, perde o filho, prostitui-se, e continua a narrar placidamente a vida de Gungunhana, como se fosse apenas uma testemunha desocupada do Napoleão moçambicano na Santa-Helena portuguesa.

Mia Couto não podia ter escolhido melhor tema para a sua trilogia; e pior do que não ter feito um bom romance é ter conseguido fazer de um bom tema um mau romance.

(*) – Por Carlos Maria Bobone, in observador.pt

CFM perde 36,8 ME com retirada da Vale da linha-férrea de Sena

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Comboio da mineradora Vale

A empresa ferroviária estatal moçambicana CFM deverá perder 36,8 milhões de euros anuais com a saída da empresa mineira brasileira Vale da linha-férrea de Sena, centro de Moçambique, estima a companhia.

“Perdemos um grande fornecedor de mercadorias nesta ferrovia”, declarou Augusto Abudo, diretor-executivo dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) na região centro, citado hoje pela Rádio Moçambique.

“A nossa obrigação é fazer um esforço para recuperar outros clientes. As áreas operacionais e comerciais estão a trabalhar nesse sentido”, acrescentou.

A linha de Sena liga a cidade portuária da Beira, em Sofala, e a vila de Moatize, em Tete, onde desde 2011 funcionam minas de carvão da Vale.
A empresa anunciou em 2016 que ia deixar de usar a linha devido à insegurança e baixa capacidade do volume de escoamento, passando a usar “exclusivamente” a linha de Nacala, infraestrutura que construiu em consórcio.

A nova linha parte de Moatize e segue para norte, atravessando o Maláui e reentrando em Moçambique na província de Nissa, cruzando Nampula, em direção ao porto de Nacala.

“Agora usamos exclusivamente a linha de Nacala para o escoamento do carvão” anunciou Rogério Cendela, especialista técnico de carvão da Vale, durante uma visita às minas, em novembro.

Aquele responsável justificou a medida com os ataques a locomotivas durante o conflito entre a Renamo e as forças de defesa e segurança moçambicanas, atualmente sob um cessar-fogo iniciado em dezembro de 2016.

Por outro lado, a linha de Sena escoava em media seis milhões de toneladas por ano, contra as atuais 18 toneladas da linha de Nacala, onde as operações de carregamento de navios em águas profundas têm também menos custos.

A Vale opera com sete comboios em contínuo na nova linha, para escoar maiores quantidades de carvão e maximizar o investimento.

Fonte:Lusa

Banco Mundial admite que manipulou dados sobre o Chile contra o Governo de Bachelet

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Michelle Bachelet, no seu último discurso de prestação de contas públicas diante do Congresso

A edição do The Wall Street Journal (WSJ) do passado sábado, 13 de janeiro, causou um profundo impacto no mundo da política e da economia chilenas. O economia-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, reconheceu ao jornal que o organismo financeiro, oficialmente subordinado às Nações Unidas, alterou o seu ranking de competitividade empresarial e prejudicou o Chile – e, mais especificamente, Michelle Bachelet. Trata-se do relatório Doing Business, em que a posição do Chile caiu constantemente durante o mandato da socialista (2006-2010), subiu no Governo de direita de Sebastián Piñera (2010-2014) e voltou a cair quando a médica assumiu um novo mandato (2014-2018). Nesses 12 anos, o Chile flutuou entre o posto 25 e o 57.

As variações teriam ocorrido “por motivações políticas”, segundo as palavras de Romer ao WSJ. “Quero pedir desculpas pessoalmente ao Chile e a qualquer outro país ao qual possamos ter transmitido uma impressão errada”, afirmou o economista.

A presidenta Bachelet, que termina o segundo mandato em março, reagiu imediatamente através do Twitter. “Muito preocupante o que ocorreu com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo da posição do Chile, a alteração prejudica a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional”, escreveu a socialista.

“Dada a gravidade do ocorrido, como Governo pediremos formalmente ao Banco Mundial uma completa investigação. Os rankings que as instituições internacionais administram devem ser confiáveis, já que têm impacto no investimento e no desenvolvimento dos países”, afirmou Bachelet, que integra o Sistema das Nações Unidas. Entre 2010 e 2013, ela liderou a ONU Mulheres em Nova Iorque e, a partir de junho, encabeçará o programa Aliança para a Saúde da Mãe, do Recém-Nascido e da Criança, da Organização Mundial da Saúde (OMS), no lugar de Graça Machel, viúva de Nelson Mandela. Além disso, soube-se há alguns meses que participará num novo organismo mediador de conflitos internacionais da ONU, ao qual foi convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterres.

O economista-chefe do Banco Mundial disse que os índices de competitividade chilenos serão corrigidos e recalculados. Nos últimos quatro anos, por exemplo, a queda do Chile foi provocada, quase na sua totalidade, pela alteração da metodologia de análise, não por mudanças nas medidas permanentes do ambiente comercial do país. “Com base nas coisas que estávamos a medir antes, as condições comerciais não pioraram no Chile sob a administração de Bachelet”, completou Romer.

O ministro chileno da Economia, Jorge Rodríguez, declarou que a alteração do ranking “é de uma imoralidade poucas vezes vista”. “É um escândalo de grandes proporções, pois o que indica é que teria sido manipulado pelo economista encarregado da sua elaboração (Augusto López-Claros), para que fosse vista uma piora económica durante o Governo da presidenta Michelle Bachelet, com intenções basicamente políticas”.

Após a entrevista de Romer ao WSJ, o Banco Mundial anunciou em nota que realizará uma investigação para esclarecer os factos. “Em razão das preocupações e do nosso compromisso com a integridade e a transparência, realizaremos uma revisão externa dos indicadores correspondentes ao Chile no relatório Doing Business.” O organismo, porém, defendeu a imparcialidade da classificação nos seus 15 anos de existência, definindo-a como “uma ferramenta inestimável para os países que procuram melhorar o seu clima de negócios, acompanhando milhares de reformas”.

López-Claros, o especialista do Banco Mundial acusado de manipular os dados de competitividade do Chile, disse num e-mail à Bloomberg que as acusações de manipulação política “não têm nenhum fundamento” e que a mudança metodológica foi “totalmente justificada e transparente”.

O segundo Governo de Bachelet foi marcado por transformações estruturais e por um crescimento económico discreto, de 1,8% em média. Os seus críticos acusam a socialista de gerar instabilidade com reformas mal implementadas, como a tributária, e de deixar de lado o crescimento económico, uma das bandeiras com as quais Piñera foi eleito para o período 2018-2022.

Edwin Hawkins, autor de ‘Oh, Happy Day’, morre aos 74 anos

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Edwin Hawkins, no Teatro Apollo de Nova York em 2014.

O cantor de música gospel Edwin Hawkins, famoso por sua versão da canção Oh, Happy Day, morreu aos 74 anos em decorrência de um cancro de pâncreas, informou o seu agente, Bill Carpenter, à imprensa dos EUA.

Hawkins, um dos fundadores do gospel moderno, morreu nesta segunda-feira, 15 de janeiro, na sua casa, na Califórnia.

A música com a qual se tornou famoso, Oh, Happy Day, é um hino do século XVIII que Hawkins arranjou segundo o estilo chamado call and response, no qual a canção é compostas de fragmentos de duas partes, sendo que a segunda é uma resposta à primeira.

O single do grupo Edwin Hawkins Singers que continha essa nova versão, lançado em 1969, fez muito sucesso. Um ano mais tarde, o grupo foi premiado com o Grammy de melhor interpretação de gospel por essa canção. As vendas alcançaram os sete milhões de cópias, segundo os dados citados por Carpenter ao The New York Times.

Ao longo da sua carreira, Edwin Hawkins ganhou quatro Grammys. Oh, Happy Day foi gravada por Glenn Campbell e Elvis Presley, e também apareceu no filme Mudança de Hábito, protagonizado por Whoopi Goldberg.

Presidente interino do Zimbabwe visita Moçambique esta quarta-feira

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Emmerson Mnangagwa, Presidente interino do Zimbabwe

O Presidente interino do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, realiza na quarta-feira uma visita de trabalho a Moçambique que inclui uma reunião com o chefe de Estado, Filipe Nyusi.

A visita acontece a convite do dirigente moçambicano e o encontro entre ambos está marcado para as 10:50 no palácio presidencial, em Maputo, anunciou o gabinete de Nyusi em comunicado.

“A visita do Presidente Emmerson Mnangagwa ao nosso país enquadra-se no reforço das relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre Moçambique e Zimbabwe, nos domínios comercial, regional e internacional”, refere-se no documento.

Nesta deslocação, Mnangagwa far-se- á acompanhar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Subusiso Moyo, e por outros quadros do governo do Zimbabwe.

A visita acontece cinco dias depois de o Presidente interino do Zimbabwe ter passado por outro país lusófono, Angola, onde anunciou para breve a realização de uma reunião da comissão conjunta para reforçar as relações económicas bilaterais.

Na ocasião, foi ainda recebido pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, na qualidade de presidente do Órgão para Politica, Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para abordar questões relativas à “situação política” naquele país.

Emmerson Mnangagwa lidera a transição no Zimbabwe até às eleições gerais, previstas para meados de 2018, depois da operação militar que, em novembro, levou ao afastamento de Robert Mugabe.

Fonte: Lusa

Dois mortos durante assalto a centro de saúde em Nangade

Duas pessoas morreram na segunda-feira durante um assalto a um centro de saúde em Nangade, norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, anunciou hoje a polícia.

As vítimas são um médico do posto de saúde e a mulher de um comerciante daquele distrito, referiu Inácio Dina, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), em conferência de imprensa.

O grupo suspeito dos homicídios vandalizou o posto de saúde, roubou medicamentos, uma viatura e uma motorizada.
“Temos uma força a fazer o desdobramento em Nangade para a neutralização deste grupo”, disse o porta-voz da polícia moçambicana.

Este é o mais recente de uma série de casos de violência com vítimas mortais registados desde outubro no extremo norte de Moçambique na província de Cabo Delgado.

No fim de semana, um grupo armado matou cinco pessoas e feriu várias outras num ataque à sede do posto administrativo de Olumbe, distrito de Palma, na mesma região.

“O esforço neste momento está sendo feito por toda província para que não se dê espaço a estes homens que protagonizaram este ataque”, afirmou Inácio Dina.

O porta-voz da PRM disse, no entanto, que é prematuro associar estes casos mais recentes aos incidentes de Mocímboa da Praia, também em Cabo Delgado, que opuseram a polícia e um grupo que manteve a vila sitiada quase dois dias (05 e 06 de outubro)

“O que se sabe é que um grupo está a vandalizar infraestruturas e a tirar vidas”, declarou o porta-voz, reiterando que as investigações continuam.

Dados apresentados hoje pelo porta-voz da polícia indicam que mais 300 pessoas já estiveram detidas desde outubro por suspeita de envolvimento nos incidentes de Mocímboa da Praia.

Fonte: Lusa

Polícias de Moçambique e da Tanzania assinam memorando de cooperação

As polícias de Moçambique e da Tanzania assinaram na segunda-feira em Dar-es-Salaam um memorando de entendimento para a assistência mútua no combate à criminalidade transfronteiriça e terrorismo, informou hoje o jornal Notícias.

Segundo o principal diário de Moçambique, o memorando foi assinado pelo comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, e pelo inspetor-geral da Polícia da Tanzania, Simon Sirro.

Ao abrigo do entendimento, as forças policiais dos dois países vão trocar informações sobre a criminalidade transfronteiriça e atos considerados terroristas.

O acordo prevê igualmente operações conjuntas, assistência técnica e desenvolvimento institucional.

O combate ao tráfico de drogas e crimes económicos e financeiros são também parte dos objetivos preconizados no memorando de entendimento.

No fim de semana, um grupo armado matou cinco pessoas e feriu várias outras num ataque à sede do posto de Olumbi, distrito de Palma, Cabo Delegado, nordeste de Moçambique, fronteira com a Tanzania, disseram hoje à Lusa várias fontes.

Uma moradora de Olumbi, Aneia Sumaili, disse que o grupo invadiu a sede do posto administrativo e disparou contra edifícios estatais e várias barracas do mercado local, que foram incendiadas.

“Dispararam e queimaram as barracas do mercado, entraram no governo (secretaria) e vandalizaram, queimaram a mota do chefe do posto e casa dele também foi invadida”, contou à Lusa Aneia Sumaili, referindo que se mantém um clima tenso entre a população.

O administrador local confirmou o ataque, mas remeteu mais pormenores para a polícia.

Supõe-se que o grupo seja o mesmo que atacou a sede de Mocímboa da Praia a 05 de outubro de 2017, em que morreram pelo menos dois agentes da polícia e outros quatro elementos das forças de segurança, além de uma dezena de atacantes.

Contactada pela Lusa, a polícia de Cabo Delgado ainda não se pronunciou sobre o novo ataque.

Fonte: Lusa

 

Guerras dizimam fauna em África, mas Gorongosa surpreende positivamente

cropped-gorongosa_por_do_sol.jpgOs conflitos nos últimos 65 anos em África afetaram 70% dos parques naturais no continente e dizimaram as respetivas faunas e florestas, indica esta segunda-feira um estudo sobre biodiversidade nas reservas africanas, Moçambique e Angola incluídos, liderado por investigadores norte-americanos.

No trabalho, que analisa o período entre 1946 e 2010, Robert Pringle e Joshua Daskinos, especialistas em ecologia nas universidades de Princeton e de Yale, é vincado que mais de 70% das áreas protegidas foram diretamente afetadas por guerras que obrigaram a um decréscimo de praticamente todas as 253 populações analisadas (de 36 espécies em 126 reservas), dados publicados na revista Nature.

Segundo o estudo, o impacto mais negativo atingiu as populações de grandes herbívoros que vivem em parques nacionais e outras zonas protegidas, desde elefantes e hipopótamos a girafas, búfalos ou antílopes e foi mais devastadora do que qualquer ação humana, como a indústria mineira, urbanização ilegal ou tráfico de animais.

No entanto, os autores salientam haver um dado que traz alguma esperança: as mesmas populações não se extinguiram, salvo raras exceções. Mais, ressalvam, nalguns casos chegaram mesmo a renascer, às vezes com grande rapidez, quando as condições voltam à normalidade.

Caso exemplar é o da resistência populacional dos animais no parque nacional na Gorongosa, em Moçambique, “um território extraordinário que perdeu todos os leopardos e hienas, bem como a maior parte dos leões e elefantes por causa dos mais de 20 anos de guerra” civil, que terminou em 1992.

“Agora, a Gorongosa está a recuperar com passo firme”, salientaram os dois especialistas, recordando que o fim do colonialismo, não só em Moçambique, mas também noutros países africanos, foi seguido por lutas pelo poder violentas e sangrentas.

Os habitantes locais, referem, viram-se obrigados a penetrar nas zonas protegidas para obter carne para alimentação e também produtos, como o marfim, para poderem financiar a atividade militar, que acabaram por deixar de lado o respeito pela proteção dos animais.

Entre as áreas protegidas mais afetadas com anos e anos de conflitos destacam-se também, além de Moçambique, várias reservas em Angola, Burundi, Chade, Eritreia, Etiópia e Sudão do Sul (incluído no Sudão até 2011).

Pelo contrário, os enormes parques nacionais na Tanzânia e Zâmbia conseguiram suportar as seis últimas décadas com uma relativa calma, situação que o estudo diz se estender também, com maior ou menor grau, a países como os Camarões, Congo, Gabão ou Senegal, entre outros.

O estudo destaca ainda que apenas três pequenos países, todos Estados insulares — África conta com 55 Nações -, não se viram a braços com conflitos armados: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Maurícia.

“Basta que um conflito se declare nas proximidades de um parque para que populações de mamíferos comecem a ressentir-se”, salientaram os dois biólogos, lembrando que 80% das guerras recentes em África aconteceram em zonas de grande diversidade ecológica”.

Embora o efeito das guerras na biodiversidade pareça óbvio, não o é em absoluto, insistiu Robert Pringle, uma vez que a debandada humana provocada pelas guerras ou mesmo a interrupção da atividade mineira podem trazer benefícios para a fauna, como se constatou na guerra civil na antiga Rodésia (1964/1979, atual Zimbabwe).

Por outro lado, a guerra no Ruanda, em meados dos anos 1990, coincidiram de forma surpreendente com o ressurgir dos gorilas de montanha, algo que, consideraram os dois autores, “não é habitual”.

“Os dados ecológicos das zonas de conflito são escassos, o que dificulta o estudo dos efeitos da guerra na vida selvagem. Este é, porém, o primeiro estudo para os analisar à escala continental e por um período de décadas”, concluiu Pringle.

Fonte: Lusa